Teerã, 16 dez (EFE).- O chefe do Poder Judiciário iraniano, Sadeq Larijani, fez um alerta hoje aos chamados líderes da conspiração e disse que existem provas que podem ser utilizadas contra eles.

Em declarações recolhidas pela agência de notícias estatal "Irna", Larijani criticou a oposição e afirmou que as "mentiras" ditas durante os protestos pós-eleitorais incentivaram os inimigos estrangeiros a atacar a República Islâmica.

"Digo aos chefes da conspiração que o Poder Judiciário tem indícios suficientes e, se não agiu até agora, não é porque não tem informações", explicou, sem citar nomes.

"Na recente conspiração, alguns bateram no sistema. Mas o sistema tem raízes e, por isso, não sofreu danos vitais", acrescentou Larijani durante uma reunião com procuradores de todo o país.

O Irã entrou na pior crise política de seus últimos 30 anos após a polêmica reeleição do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, em junho, em pleito considerado fraudulento pela oposição.

Logo depois do anúncio dos resultados, centenas de milhares de pessoas saíram pelas ruas do país em protestos duramente reprimidos pelas forças da ordem.

Alguns líderes da oposição denunciaram o cometimento de abusos sexuais em uma das prisões para as quais foram levadas dezenas das quase quatro mil pessoas detidos durante os distúrbios.

Sobre o assunto, Larijani afirmou hoje que essas acusações não são mais do que propaganda contra a República islâmica.

"Os países ocidentais aproveitaram isso como desculpa para violar os direitos do Irã e para conseguir seus próprios objetivos", disse.

Alguns dos setores políticos, militares e religiosos ligados ao Governo iraniano pediram a detenção de Mir Hussein Moussavi e Mehdi Karrubi, candidatos da oposição à Presidência nas eleições de junho e que denunciaram a suposto fraude, por ameaçar a segurança nacional. EFE jm-msh/bba

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