Judiciário e Legislativo respaldam golpe; Zelaya recebe apoio externo

Redação Central, 28 jun (EFE).- O Poder Judiciário de Honduras respaldou hoje a ação das Forças Armadas de deter e deportar o presidente do país, Manuel Zelaya, que recebeu um forte apoio da comunidade internacional e negou ter renunciado ao poder, como afirmou o Congresso hondurenho.

EFE |

"Se a origem das ações do dia de hoje estava baseada em uma ordem judicial emitida por um juiz competente, sua execução está dentro dos preceitos legais", assinala o comunicado.

As ações "devem se desenvolver contra tudo o que ilegalmente se interponha para devolver o império da lei ao Estado de Honduras", prossegue o texto.

Em San José, capital da Costa Rica, onde se encontra como "hóspede", Zelaya anunciou sua intenção de terminar seu mandato e negou em declarações à emissora "CNN" em espanhol ser o autor de uma carta de renúncia lida hoje no Congresso hondurenho e aceita por seus membros, reunidos em sessão extraordinária.

"Nunca renunciei e nunca vou utilizar esse mecanismo", disse o chefe de Estado.

"O que estou deduzindo agora é que não é um golpe militar, é uma conspiração" político-militar contra a democracia, assegurou Zelaya.

O presidente foi detido hoje em sua residência, levado a uma base aérea e retirado do país em um voo para Costa Rica, onde em entrevista coletiva acusou um grupo de militares "ambiciosos" de tê-lo "sequestrado" à mão armada.

A ação militar aconteceu em um dia no qual estava prevista a realização de uma consulta popular sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte, declarada como ilegal pela Justiça hondurenha.

Em outro comunicado divulgado em rede nacional, o Tribunal Supremo Eleitoral hondurenho assegurou hoje que as eleições gerais marcadas para novembro acontecerão e têm o apoio das Forças Armadas.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) se reuniu em caráter urgente hoje em Washington.

Já em Manágua, os presidentes dos países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) e, depois, os chefes de Estado centro-americanos terão um encontro hoje à noite com o objetivo de restituir Zelaya.

"Quero retornar para meu país. Sou o presidente legítimo de Honduras", disse.

Zelaya contou que foi tratado "com brutalidade e violência" pelo grupo de militares que o deteve, dos quais só disse que são "ambiciosos e de elite", mas disse não acreditar que todas as Forças Armadas sejam responsáveis desta ação.

Em Tegucigalpa, onde tanques e carros de combates estão nas ruas, os simpatizantes de Zelaya se concentraram em frente ao palácio presidencial, atendendo aos pedidos de "resistência pacífica" feitos pelo presidente e seus ministros.

A ministra das Relações Exteriores hondurenha, Patricia Rodas, está detida. Há a ordem de deter o resto dos integrantes do gabinete de Zelaya, informou à Agência Efe o secretário pessoal do presidente, Eduardo Enrique Reina.

A primeira-dama hondurenha, Xiomara de Zelaya, está "em uma montanha" no leste do país por medo de sofrer danos.

"A última vez que falei com meus filhos foi ontem às 18h (hora local). Depois, não voltei a saber deles, estou preocupada", relatou à Efe por telefone.

O Congresso de Honduras convocou uma sessão extraordinária para hoje, na qual, segundo versões extra-oficiais, pode jurar como chefe de Estado o presidente da casa, Roberto Micheletti.

Uma fonte diplomática disse à Efe que forças parlamentares informaram a membros do corpo diplomático credenciado no país que os partidos políticos se reunirão para preencher o "vazio de poder" gerado.

"Isto foi um golpe militar. A ordem constitucional deve ser restabelecida", disse o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, no início da sessão extraordinária do Conselho Permanente do organismo regional.

O embaixador hondurenho na OEA, Carlos Sosa, apoiado por diplomatas de países como Brasil, Paraguai, Nicarágua e Venezuela, pediu para que a entidade aprove uma resolução de condenação ao golpe militar em seu país.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, confirmou que os presidentes da América Central se reunirão esta noite em Manágua para "fazer frente à luta de reconduzir" Zelaya à Presidência de Honduras.

O chefe de Estado da Venezuela, Hugo Chávez, por sua parte, anunciou que fará "tudo o que tiver que fazer" para que Zelaya volte a seu cargo e advertiu que responderá "inclusive militarmente" caso haja novas ataques contra o embaixador venezuelano em Tegucigalpa, Armando Laguna, que disse ter sido agredido por militares encapuzados.

"Se nosso embaixador for sequestrado ou atropelado, essa junta militar entraria em estado de guerra de fato. Teríamos que atuar, inclusive, militarmente", disse Chávez em um discurso televisionado.

O embaixador americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens, declarou que "o único presidente que os Estados Unidos reconhecem em Honduras é Manuel Zelaya".

Os Governos da maior parte dos países latino-americanos condenaram severamente o golpe contra Zelaya. EFE ar/bba

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