Judeus saúdam expulsão de bispo que negava o Holocausto

CIDADE DO VATICANO - Líderes judaicos mundiais elogiaram na sexta-feira a decisão da Argentina de expulsar do país um bispo católico ultratradicionalista que provocou furor internacional ao negar a extensão plena do Holocausto.

Reuters |

Um grupo pediu que outros governos sigam o exemplo da Argentina e reprimam o antissemitismo e a negação do Holocausto em seus países.

O governo argentino anunciou na quinta-feira que ordenou ao bispo Richard Williamson que deixe o país em dez dias ou será expulso. Williamson vive na Argentina há anos.

"O governo da Argentina promoveu a causa da verdade e desferiu um golpe contra o ódio", disse Elan Steinberg, vice-presidente do Agrupamento Americano de Sobreviventes do Holocausto e Seus Descendentes.

Williamson, que até o início deste mês dirigiu um seminário tradicionalista nas proximidades de Buenos Aires, disse que não houve câmaras de gás e que não mais de 300 mil judeus morreram nos campos de concentração nazistas na Alemanha, em lugar de 6 milhões, uma cifra que é largamente aceita.

"Essa decisão é louvável, mais ainda porque o governo argentino deixa muito claro que os negadores do Holocausto não são bem-vindos no país". disse Ronald Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial.

Williamson foi um dos quatro bispos ultratradicionalistas cujas excomunhões foram revogadas pelo papa Bento 16 em janeiro. A decisão do papa de abrir a porta para ele ser plenamente readmitido na Igreja foi criticada fortemente por judeus e muitos católicos.

Lauder, do CJM, disse que espera que a iniciativa argentina inspire outros países a tomar medidas contra aqueles que negam o Holocausto.

"Infelizmente, outros países e governos se mostram menos inclinados a reprimir as tentativas de denegrir as vítimas da Shoah", disse Lauder, usando o termo hebraico para Holocausto.

O Vaticano não comentou a ordem de expulsão dada pela Argentina, país de maioria católica e que tem uma das comunidades judaicas mais antigas fora de Israel.

O Vaticano ordenou a Williamson que se retrate. O bispo britânico respondeu que precisa de mais tempo para rever as "evidências".

A negação do Holocausto é um crime na Alemanha, onde Williamson fez as declarações em 2008 que foram transmitidas pela televisão sueca no mês passado. Promotores públicos da cidade alemã de Regensburg estão investigando o bispo por suspeita de incitamento.

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