Judeus refazem assentamento na Cisjordânia horas após demolição

Jerusalém, 21 mai (EFE).- Dezenas de colonos israelenses começaram na tarde de hoje a reconstruir o pequeno assentamento judaico de Maoz Esther, na Cisjordânia, que tinha sido destruído horas antes, informa a imprensa local.

EFE |

Entre eles se encontrava o deputado Michael Ben Ari, do partido União Nacional, da extrema-direita religiosa, que disse ser sua "obrigação como legislador" participar da ação.

Os presentes, em sua maioria jovens, prometeram refazer a colônia maior do que era até sua demolição esta manhã: sete contêineres metálicos convertidos em caravanas, um dos quais servia as vezes como sinagoga.

Os colonos buscaram entre as ruínas coisas aproveitáveis, enquanto uma escavadeira alisava o terreno para que um grupo de adolescentes colocasse o novo solo de madeira.

"Estamos avançando, essa é nossa terra. Deus quer que avancemos, portanto o faremos. É difícil porque tínhamos investido muito dinheiro e esforço em Maoz Esther, mas o reconstruiremos de novo", disse Eljanan Albert, um dos residentes, ao site "Israel National News", próximo à direita religiosa.

Outro habitante, Elyashiv Aviyona, definiu o assentamento destruído como "a missão avançada que protege o resto de Israel" e destacou que é a quarta vez que sofre a mesma coisa.

"Originariamente aqui havia duas tendas de campanha. Nos tiraram e sentimos que Deus nos estava dizendo que as tendas não bastavam, portanto construímos dois prédios. Foram destruídos também. Outra vez Deus disse que não era suficiente, portanto construímos quatro.

Voltaram. Construímos seis e agora os destruíram de novo.

Simplesmente construiremos mais e mais", contou Otniel Ronen.

A evacuação tinha sido feita de manhã de forma pacífica perante a falta de resistência.

Erguido ao leste de Ramala há um ano e meio, Maoz Esther era um dos cerca de 50 assentamentos que o próprio Governo israelense considera ilegais.

O desmantelamento chega três dias depois que Netanyahu se reuniu na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Fontes do Ministério da Defesa revelaram ontem ao diário "Ha'aretz" que o ministro Ehud Barak acordou com Netanyahu um plano para evacuar os assentamentos que Israel considera ilegais, ou seja, os estabelecidos desde 2001.

Seria, segundo as fontes, parte do "preço" que Netanyahu teria pagado a Obama em troca de seus comentários críticos sobre o programa nuclear iraniano, a principal preocupação no Estado judeu.

Israel é obrigado a desmantelar esses assentamentos de acordo com o Mapa do Caminho, o plano de paz apresentado em 2003 pelo grupo formado por ONU, EUA, União Europeia e Rússia. EFE ap/rr

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