As autoridades máximas judias de Israel e da Alemanha anunciaram nesta quinta-feira que não querem manter contato com representantes do Vaticano, após a decisão de Bento XVI de reintegrar à Igreja um bispo que negou a existência do Holocausto e das câmaras de gás.

"Os cinco representantes dos Rabinos de Israel, que deviam se reunir em março em Roma com cinco representantes do Vaticano, não poderão participar nesse encontro no estado atual das coisas", anunciou à AFP o diretor-geral da instituição, Oded Wiener.

"Este diálogo, que começamos em 2000 após a visita do anterior Papa João Paulo II, não pode continuar como se nada estivesse acontecendo depois de uma decisão semelhante, anunciada no dia em que a comunidade internacional comemorava a Shoah", acrescentou.

O Conselho Central dos Judeus da Alemanha, a principal organização hebraica do país, também anunciou a suspensão, por enquanto, de qualquer diálogo com a Igreja Católica, segundo sua presidente Charlotte Knobloch, em entrevista divulgada nesta quinta-feira ao jornal regional Reinische Post.

"Eu gostaria de tivesse um movimento de protesto dentro da Igreja contra o tal tipo de comportamento por parte do Papa", afirmou, referindo-se à excomunhão que pesava desde 1988 contra quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal San Pío X, entre eles o britânico Richard Wiliamson, que negou recentemente o Holocausto.

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