Judeu ortodoxo compra 'Diários Ocultos de Mengele' por US$ 300 mil

Americano do Meio-Oeste paga equivalente a quase R$ 466 mil por material com 3,5 mil páginas inéditas de 'Anjo da Morte' nazista

AFP |

Um judeu ortodoxo americano comprou nesta quinta-feira, por US$ 300 mil (quase R$ 466 mil), os "diários ocultos" do criminoso de guerra nazista Josef Mengele, informou a Casa de Leilões Alexander Autographs.

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Alguns dos diários do criminoso de guerra nazista Josef Mengele, conhecido como Anjo da Morte, são expostos em casa de leilões em Stamford, Connecticut, EUA (19/07/2011)
Os diários contêm 3,5 mil páginas inéditas, com detalhes da vida de Mengele na Argentina, Paraguai e Brasil, além de poemas, aforismos e pensamentos políticos e filosóficos daquele que foi chamado o "Anjo da Morte".

O preço final pago pelos documentos chegou a US$ 292.775, afirmou o vice-presidente da casa, Peter Klarnet. Uma empresa especializada em documentos históricos militares havia calculado seu valor entre US$ 300 mil e US$ 400 mil.

Klarnet não quis divulgar a identidade do comprador, limitando-se a dizer que se trata de "um colecionador privado do Meio-Oeste" americano, "um judeu ortodoxo que planeja abrir seu próprio museu". O comprador "está muito contente de que os diários estejam agora nas mãos certas", acrescentou.

Os documentos manuscritos, de grande "relevância histórica" são às vezes ilustrados e estão em excelente condição", segundo a Alexander Autographs, localizada em Stamford, no Estado de Connecticut, nordeste dos EUA.

Alguns extratos, escritos entre 1960 e 1975, foram publicados na Alemanha, mas "95% do material" é inédito, segundo a casa de leilões. O vendedor foi uma sociedade anônima americana.

Josef Mengele era um dos médicos encarregados da seleção dos deportados que chegavam ao campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, onde foram assassinadas 1,1 milhão de pessoas, das quais um 1 milhão eram judias, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Era Mengele quem ordenava diretamente a ida para as câmaras de gás de crianças, velhos e de todos que considerasse fracos para trabalhar. Também escolhia alguns como cobaias de "experimentos científicos". Ao final da guerra, conseguiu fugir para a América Latina com uma falsa identidade. Morreu afogado numa praia no sul do Brasil, em 1979.

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