Juan Manuel Santos toma posse como presidente da Colômbia

Em seu 1º discurso como presidente, Santos diz estar aberto ao diálogo com Farcs e dispensa mediação na negociação com Venezuela

iG São Paulo |

Juan Manuel Santos tomou posse neste sábado como presidente da Colômbia em uma cerimônia iniciada às 15h40 local (17h40 de Brasília) na Praça de Bolívar em Bogotá, com a presença de vários chefes de Estado e de Governo.

Santos prestou juramento e recebeu a faixa presidencial diante dos mais de 5 mil convidados, entre os quais há 107 delegações internacionais representadas, segundo os últimos dados fornecidos pela Chancelaria colombiana.

Em seu discurso de posse, Santos disse que uma das suas prioridades à frente do governo será restabelecer relações com a Venezuela e com o Equador e disse esperar que o fim da crise diplomática com os dois países seja alcançado "o mais rápido possível". "Um dos meus propósitos será restabelecer relações com a Venezuela e Equador e recuperar a confiança", afirmou Santos.

O novo presidente agradeceu a mediação dos países da região, como o Brasil, mas disse preferir tratar a controvérsia diretamente com os países vizinhos. "Agradeço a mediação na situação com a Venezuela (...), mas prefiro o diálogo franco e direto e tomara que seja o mais breve possível", afirmou. "Um diálogo de respeito mútuo, de cooperação recíproca", acrescentou.

O novo presidente colombiano disse também que está "aberto" ao diálogo com Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para pôr fim à violência, mas com a condição de que a guerrilha renuncie "às armas, ao sequestro e ao narcotráfico".

"Enquanto não libertarem os reféns, enquanto continuarem cometendo atos terroristas, enquanto não devolverem as crianças recrutadas à força, enquanto continuarem minando e contaminando os campos colombianos, continuaremos enfrentando a todos os violentos, sem exceção", advertiu Santos em seu discurso de posse.

Essa foi sua resposta à mensagem do líder máximo das Farc, Guillermo León Sáenz, conhecido como 'Alfonso Cano', quem propôs ao novo Governo "conversar" para superar a "terrível situação" que vive o país, em mensagem gravada no "mês de julho" e divulgada na semana passada. "Aos grupos armados ilegais que invocam razões políticas e hoje falam novamente de diálogo e negociação, lhes digo que meu Governo estará aberto a qualquer conversa que busque a erradicação da violência e a construção de uma sociedade mais prospera, igualitária e justa", ressaltou Santos.

Antes da cerimônia de posse, Santos, como presidente eleito, esteve em uma cerimônia indígena na cadeia montanhosa Sierra Nevada de Santa Marta, no norte do país, onde recebeu um bastão de comando dos líderes espirituais locais.

Por causa da chuva que caiu sobre a histórica Praça de Bolívar, os organizadores da cerimônia distribuíram guarda-chuvas para proteger o público. Santos sucede Álvaro Uribe na Presidência da Colômbia, que ocupou o cargo desde 2002, e se transforma no 59º líder da história republicana do país.

Crise internacional

Mesmo com todas as declarações polêmicas que envolveram a Colômbia numa crise com a vizinha Venezuela, o chanceler deste país, Nicolás Maduro, foi a Bogotá para assistir à solenidade de posse do presidente Juan Manuel Santos, portando uma "mensagem de amor e futuro" da parte do presidente Hugo Cháves.

Ao chegar ao aeroporto militar de Bogotá, Maduro disse que o presidente venezuelano encarregou-o "de forma expressa de uma mensagem de amor e solidaridade, de futuro e esperança".

Os países romperam relações, no mês passado, após o então presidente colombiano, Álvaro Uribe apresentou vídeos com supostas provas das ligações de Caracas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na sessão extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington.

Ao anunciar o rompimento das relações, o presidente Hugo Chaves afirmou: “não nos resta, por dignidade, mais que romper totalmente as relações com a Colômbia, com lágrimas no coração”.

No mesmo dia, Chaves pediu "alerta máximo" aos militares na fronteira com a Colômbia e disse que não aceitaria “nenhum tipo de agressão”, o que indicava a iminência de um possível conflito.

Menos de um mês depois, a posse de Juan Manuel Santos na presidência é aguardada como possibilidade de distensão na relação entre vizinhos.

Outro desafeto do ex-presidente, o presidente do Equador, Rafael Correa, também chegou neste sábado a Bogotá para acompanhar a cerimônia de posse. Foi a sua primeira visita desde que seu Governo rompeu relações com o país vizinho em março de 2008.

"Muita sorte, irmãos e irmãs colombianos, neste novo período de governo, contem sempre com nosso total apoio", declarou Correa após descer do avião que o levou de Quito para Bogotá.

O presidente equatoriano também rompeu as relações diplomáticas com a Colômbia em março de 2008 após um bombardeio colombiano sobre um acampamento das Farc em seu país sem o consentimento de seu Governo. O ataque deixou 26 mortos, entre eles o então número dois da guerrilha, 'Raúl Reyes'. No último ano, os dois países avançaram no restabelecimento dos laços.

Lula

nullDurante a visita à Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse acreditar 100% na possibilidade de que os governos da Venezuela e Colômbia reatem relações diplomáticas depois da posse de Santos.
Lula tem atuado como mediador da crise binacional. Antes de viajar a Bogotá, o presidente esteve em Caracas, onde conversou com Hugo Chávez sobre os canais para reaproximar os dois países.
Chávez disse que Lula tinha uma "missão" para levar a Bogotá e disse estar "muito otimista" em relação à solução da crise.

Para o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que está em Bogotá, a aproximação dos países é questão de tempo.

O chanceler Celso Amorim deve se reunir com a nova chanceler colombiana Maria Angela Holguín, na tentativa de articular soluções para a crise.

Além de Lula, outros 12 chefes de Estado latino-americanos assistiram à posse de Santos, ex-ministro de Defesa e herdeiro político de Uribe, que governou durante oito anos.

* Com agências EFE, BBC e AFP

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