Juan Manuel Santos é o novo presidente da Colômbia

Com quase 100% das urnas apuradas, candidato de Uribe é declarado vencedor

iG São Paulo |

O candidato governista a presidente da Colômbia, o ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos , venceu neste domingo o segundo turno das eleições com 68,9% dos votos, em pleito marcado por uma abstenção de 55%. Antanas Mockus , ex-prefeito de Bogotá, ficou em segundo lugar.

Com quase 100% das urnas apuradas, Santos obteve 8,8 milhões de votos contra 3,5 milhões de Mockus. Com isso, ele é o candidato à Presidência que mais votos recebeu nos últimos 50 anos na Colômbia.

Aos 58 anos, Santos por pouco não venceu no primeiro turno do dia 30 de maio, quando recebeu 46,6% dos votos, ao competir com outros oito candidatos.

O virtual presidente eleito sucederá na chefia de Estado Álvaro Uribe, que deixará o governo em 7 de agosto após oito anos no poder e com uma popularidade superior a 70%. Uribe conversou por telefone com Santos e disse que "se une à alegria" por sua vitória eleitoral, indicou o assessor de imprensa da Presidência, César Mauricio Velázquez. O presidente colombiano disse que pediu a "Deus todo sucesso" para o governante eleito.

O adversário de Santos, o candidato do Partido Verde, Antanas Mockus, obteve 27,5% dos votos. O opositor foi o mais votado em apenas um dos 32 departamentos (estado) do país, o de Putumayo (sul).

Continuidade de Juan Manuel Santos

A Colômbia - que faz fronteira com cinco países (Brasil, Peru, Venezuela, Equador e Panamá) e onde pelo menos 7.500 combatentes das Farc seguem ativos, assim como muitos ex-paramilitares que buscam receber parte do dinheiro do tráfico de cocaína - parece inclinar-se à continuidade, segundo especialistas.

Juan Manuel Santos, que foi três vezes ministro (Comércio, Tesouro e Defesa) e se formou em Harvard, fez uma campanha profissional e organizada. Prometeu proteger a herança do atual presidente, cuja taxa de popularidade segue rondando os 70% graças a sua política de firmeza contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), conseguindo afastá-la das cidades.

Além disso, como ministro da Defesa (2006-2009), Santos participou de momentos históricos para os colombianos, como o ataque contra um acampamento das Farc no Equador em março de 2009, no qual morreu Raúl Reyes, número dois da guerrilha, ou o resgate de 15 reféns, entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt, durante a "Operação Xeque", no dia 2 de julho de 2008.

No dia 13 de junho, uma semana antes das eleições, os colombianos puderam evocar a alegria que sentiram com a Operação Xeque, da qual Santos participou, com uma nova e bem-sucedida operação militar que resgatou quatro dos mais antigos reféns das Farc.

Também comprometeu-se a atender outras preocupações dos colombianos além da segurança, como o desemprego e o subemprego, problemas endêmicos deste país onde 46% da população vive abaixo da linha da pobreza.

Mockus perdeu força

Por outro lado, Mockus, que durante o primeiro turno foi visto como um fenômeno eleitoral utilizando redes sociais como Facebook e Twitter, com uma mensagem direta de ataque ao clientelismo, corrupção e desigualdade, teria cometido erros durante debates televisivos que teriam "desinflado" sua candidatura, de acordo com analistas.

Esquecendo-se de seu programa, atacou o adversário e vinculou-se a uma imagem agressiva, apesar de evocar reais perigos da coalizão de direita a que Santos pertence, como a corrupção ou as milhares de execuções extrajudiciais atribuídas ao exército.

Tampouco os frequentes ataques do presidente equatoriano Rafael Correa e de seu aliado venezuelano Hugo Chávez, que acusou Santos de ser uma "ameaça" para a paz regional, convenceram os eleitores.

Santos governará um país com 45,5% de pobres, 5,2% menos que há oito anos, com uma taxa de desemprego de 12%, uma das mais altas da América Latina e com um déficit fiscal estimado em mais de 4% do Produto Interno Bruto.

Violência

Depois da campanha eleitoral mais pacífica das últimas décadas e com mais de 350 mil policiais e militares para garantir a segurança em todo o território, a Colômbia registrou 17 mortes neste fim de semana . Onze oficiais e seis rebeldes foram mortos durante confrontos entre as forças públicas e grupos ilegais em diversas regiões do país.

Na ocorrência mais grave, sete policiais morreram em uma emboscada com explosivos na zona rural do departamento de Norte de Santander (fronteira com a Venezuela), revelaram porta-vozes civis

* Com AFP, EFE e Reuters

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