JPMorgan controla o presente recebido da crise financeira: o Bear Stearns

O JPMorgan Chase, controlando agora solidamente o banco de investimentos Bear Stearns, aproveita a crise financeira para se projetar entre os primeiros do mundo, apesar da fusão envolver a saída de milhares de funcionários.

AFP |

Escolhido apressadamente, em março, pelo Federal Reserve (Fed) para salvar o Bear Stearns da quebra, o JPMorgan finalizou nesta terça-feira a tomada de controle, com a compra de 39,5% do capital por intercâmbio de ações, com a cotação de 9,8 dólares por título do Bear Sterns - um terço do valor da ação do banco no início do mês.

JPMorgan já havia adquirido na semana passada, no mercado, 8,9% do Stearns, por 142 milhões de dólares.

Levando-se em consideração a dispersão pela emissão de novas ações, o JPMorgan detém agora cerca de 44,86% do Stearns, segundo o cálculo do próprio banco, que planeja continuar as aquisições no mercado, para que termine por controlar 49.5% do total acionário, consolidando seu controle do grupo.

Além do controle de uma dos primeiros bancos de investimento dos Estados Unidos, a aquisição inclui a luxuosa sede do banco em Manhattam, um arranha-céu de 45 andares.

Após alcançar um acordo no dia 16 de março para a compra do Bear Stearns pelo equivalente a 2 dólares por ação, sob o patrocínio do Fed, que financiou a operação em condições pouco habituais, o JPMorgan foi obrigado a aumentar em cinco vezes a oferta em 24 de março - para 10 dólares -, sob a acusação de estar se aproveitado da situação para lucrar mais.

O Fed aceitou financiar a operação contribuindo com 29 bilhões de dólares em liquidez para o JPMorgan, em troca de 30 bilhões de dólares em títulos concedidos pelo Stearns. O JPMorgan ficará responsável por 1 bilhão de dívidas do Bear.

Segundo uma fonte próxima da operação, o Fed escolheu o JPmorgan entre outros bancos americanos e estrangeiros por ser o único a propor uma compra total.

Esta compra, contudo, está longe de ser uma salvação para os 14.000 funcionários do Bear Stearns. Segundo a rede de televisão CNBC, o JPMorgan poderá despedir a metade do pessoal antes do fim de abril. O banco não anunciou ainda seus planos sobre essa questão.

A ruína do Stearns foi acompanha por episódios dramáticos, em que os funcionários abandonaram seus escritórios com seus pertences dentro de bolsas de plástico. Alguns, inclusive, leiloaram no site eBay os seus pertences-souvenirs do banco, dos anos áureos.

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