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Jovens sul-africanos usam anti-retrovirais como droga

Medicamentos anti-retrovirais para tratamento da Aids estão sendo usados como drogas alucinógenas por jovens e adolescentes na África do Sul, segundo informações apuradas por uma documentarista do país. De acordo com a documentarista Tooli Nhlapo, os remédios estariam sendo vendidos por pacientes em tratamento e até mesmo por funcionários da saúde.

BBC Brasil |

Nhlapo viu estudantes fumando o medicamento, cujos comprimidos são triturados até virar pó e, algumas vezes, misturado com analgésicos ou maconha.

"Não conseguia acreditar, fiquei chocada, eram alunos de escolas ainda usando seus uniformes", disse Nhlapo ao programa Outlook do Serviço Mundial da BBC.

Os próprios pacientes que fazem tratamento para Aids já foram flagrados fumando os medicamentos em vez de tomar de acordo com a recomendação médica, disse a diretora.

Efeito relaxante
No início de sua investigação, a documentarista pensou que iria entrar em um bar e se encontrar com viciados em drogas mais velhos, mas foi surpreendida ao ver estudantes saindo da escola e usando o medicamento.

"Um deles, que falou comigo de uma forma muito sincera, tinha apenas 15 anos, e o mais velho com quem conversei tinha 21. Mas a maioria é de jovens e adolescentes", afirmou.

"Quando perguntei por que eles gostavam de fazer isso, eles responderam que (o medicamento) os ajudava a relaxar e esquecer seus problemas."
"Quando você olha para eles, apenas alguns segundos depois de consumir, eles já estão em outro mundo", acrescentou Nhlapo.

Os jovens usuários com quem a documentarista conversou conseguem a droga com pacientes e com funcionários da saúde.

"É bem organizado, não importa o quanto eles estejam drogados, eles não falam quem forneceu o remédio", afirmou a documentarista.

Os usuários sabem quando pacientes vão retirar os medicamentos e compram deles. Ou, caso não tenham dinheiro, roubam os comprimidos, disse Nhlapo.

Problema nacional
Quando a documentarista começou a pesquisar a história, pensou que o problema estivesse restrito a uma área, a um grupo pequeno.

"Voltei ao distrito e então descobri que todos sabiam (do consumo dos medicamentos como drogas)", afirmou.

Nhlapo afirmou que atualmente este é um problema nacional na África do Sul.

Kas Kasongo, médico integrante da diretoria de medicamentos anti-retrovirais na África do Sul, acredita que é necessária alguma prestação de contas ou um sistema que acompanhe o uso dos remédios.

"Precisamos de farmacêuticos e bons administradores, mas este é um problema social. Não acho que nosso papel como médicos seja apenas distribuir remédios, precisamos ter garantias de que estes remédios estão sendo consumidos como recomendado", afirmou.

Efeito colateral
Kasongo afirma que os medicamentos normalmente são dados para as pessoas infectadas com o HIV e que poderão desenvolver a Aids.

"Então, pessoas que são saudáveis, que estão tomando esta medicação, estão se expondo a possíveis efeitos colaterais destes remédios", afirmou.

"Não temos mais do que 20 medicamentos anti-retrovirais no mercado e eles precisam ser tomados em um coquetel de, pelo menos, três ou quatro", disse.

"Então, abusar de um remédio em particular (...) pode levar à resistência aos remédios dentro daquele mesmo grupo."
O médico destacou que será preciso um grande trabalho de equipe envolvendo governo, assistentes sociais e autoridades do setor de educação para combater o problema.

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