Moradores da cidade de Dujiangyan, próxima ao epicentro do terremoto que abalou a China nesta segunda-feira, trabalham de maneira intensa para tentar retirar sobreviventes presos sob os escombros de uma escola que desmoronou, de acordo com a agência oficial de notícias chinesa Xinhua. Alguns estudantes soterrados estavam tentando escapar das ruínas enquanto outros gritavam por ajuda, disseram jornalistas da Xinhua que acompanham o resgate.

Estima-se que 900 estudantes foram soterrados sob os escombros do prédio de três andares da escola Juyuan, na província de Sichuan.

Segundo a agência chinesa, residentes e equipes de resgate trabalham nos escombros sob o olhar ansioso dos pais dos alunos.

Gao Shangyuan, um dos moradores da cidade que ajudam as equipes de resgate, disse à Xinhua que correu para fora de sua casa quando o terremoto começou e viu estudantes escaparem antes de o prédio cair.

"Alguns tinham pulado janela afora, e outros desceram correndo pelas escadas que não desabaram", disse Shangyuan.

Segundo a Xinhua, duas meninas contaram que conseguiram escapar porque "correram mais rápido do que os outros".

"Era por volta de 14h30 quando, de repente, o prédio começou a balançar para a frente e para trás", disse uma das meninas.

Estrada
O funcionário de um observatório sismológico na região disse à Xinhua que "a estrada começou a se mover" quando ele passava perto do epicentro do terremoto, que atingiu 7.8 pontos na escala Richter.

"Rochas caíram das montanhas e a poeira escureceu o céu sobre o vale", afirmou.

Casper Oppenhuisdejong, que trabalha para uma companhia holandesa na cidade de Chengdu, capital da província de Sichuan, disse à BBC que, no início, houve uma série de tremores.

"De repente, senti tremores leves e, dentro de segundos, todos estavam de pé", contou Oppenhuisdejong. "Estava ficando cada vez mais intenso, e todo mundo saiu correndo."
"Nós estávamos em uma rua bem estreita onde tudo simplesmente começou a tremer", acrescentou. "Os alarmes de todos os carros dispararam."
"Prédios inteiros estavam sendo evacuados, as pessoas em pânico, principalmente porque os telefones estavam mudos", afirmou Oppenhuisdejong.

Piloto
Segundo testemunhas entrevistadas pela BBC em Chengdu, não houve danos mais graves aos prédios da cidade, que tem 10 milhões de habitantes, mas os tremores secundários registrados após o terremoto causaram preocupação.

"Acredito que as partes rurais da província foram as mais afetadas", disse o piloto Philippe Burtonboi à BBC Brasil.

Por volta das 14h28 do horário local, quando o tremor foi sentido, Burtonboi estava manobrando uma aeronave em solo no aeroporto de Chengdu.

"Senti tremer a cabine e ouvi confirmação por rádio de que se tratava de um terremoto", disse.

Segundo Burtonboi, a aeronave que ele pilotava foi possivelmente a última a aterrissar no aeroporto antes de os vôos serem suspensos.

"Acredito que, depois de mim, não desceu mais ninguém", afirmou.

De acordo com o piloto, a energia e o fornecimento de água chegaram a ser cortados por algum tempo.

"As linhas telefônicas não estavam funcionando por um tempo, mas agora, tarde da noite, estão de volta ao normal", disse Burtonboi à BBC Brasil.

"A minha internet está funcionando, mas a do meu amigo que mora no bairro aqui do lado não está", acrescentou. "Agora, faltou água aqui no prédio, e no prédio dele não chegou a faltar."
O piloto afirma que as ruas estão cheias e há um senso de medo e curiosidade no ar. "Até agora, já contei uns 17 tremores menores desde o terremoto", completou.

* Com reportagem de Marina Wentzel, de Hong Kong para a BBC Brasil

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