Jovens negros viajam a Washington para testemunhar posse

Por Matthew Bigg WASHINGTON (Reuters) - Estudantes do Morehouse College de Atlanta, ansiosos por verem um acontecimento que entrará para a história, viajaram 12 horas em ônibus para assistir nesta terça-feira à posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos.

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Milhares de ônibus e mais de 1 milhão de pessoas lotavam o centro da capital para testemunhar a chegada ao poder do primeiro presidente negro do país.

Para os afro-americanos em geral e particularmente para os estudantes do Morehouse, o momento é um divisor de águas.

O líder assassinado em defesa dos direitos civis Martin Luther King Jr estudou no Morehouse, colégio para homens negros que dá ênfase à liderança e tenta passar aos estudantes valores sobre responsabilidade moral e cívica.

"É um momento muito importante da história que está acontecendo, e eu não quero perdê-lo", disse Malcolm Meredith, de 18 anos, que como muitos colegas visita a capital pela primeira vez.

Centenas de estudantes do Morehouse fizeram a viagem, o que significou uma noite sem dormir no ônibus e horas de espera no frio para a cerimônia de posse e para o desfile que acontecerá em seguida - parte de uma festa considerada a maior em anos.

Um grupo de estudantes chegou às 3 da manhã e passou duas horas andando pelas ruas a temperaturas congelantes de uma entrada a outra do Washington Mall, orientados por oficiais que pareciam dar indicações conflitantes.

O Mall, um grande parque no centro da cidade, é o melhor ponto para quem não tem ingressos ver a posse. Mesmo assim, o frio e as horas perdidas não abalaram o entusiasmo da multidão cada vez maior.

"Eu sempre odiei o frio, mas estou aguentando e isso não me incomoda porque estou muito empolgado", disse Everett Dixon, de 21 anos, estudante de arte no Morehouse.

Pegar um ônibus para pedir mudanças tem um papel importante na história dos negros norte-americanos.

Alguns estudantes disseram que foram para ver a luta e a celebração como parte de sua identidade racial, e que querem sentir parte do que seus pais e avós sentiram.

Rosa Parks é considerada uma das pioneiras na defesa dos direitos civis por ter se recusado em 1955 a levantar de seu assento em um ônibus de Montgomery, Alabama, para permitir que um passageiro branco sentasse em seu lugar - algo obrigatório por lei.

Já em 1963, dezenas de milhares de pessoas foram de ônibus para a capital na Marcha para Washington, quando Martin Luther King fez o discurso em que dizia ter "um sonho". O discurso é considerado como o momento mais importante do movimento pelos direitos civis no país.

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