Jovens marcham por Atenas, ônibus policial é alvejado

ATENAS (Reuters) - Centenas de manifestantes marcharam pelas ruas de Atenas horas depois de um atirador ter disparado contra um ônibus da tropa de choque da polícia grega, nesta terça-feira. Essa é a terceira semana de protestos anti-governo desde que a polícia matou um adolescente na capital do país. A polícia disse que um homem não-identificado atirou contra um ônibus que levava 19 policiais e estava parado no sinal vermelho, diante de um campus universitário no leste de Atenas, por volta de 5 da manhã (horário local).

Reuters |

Duas balas atingiram o ônibus, furando um pneu, mas ninguém se feriu. Um policial, que pediu para não ser identificado, disse acreditar que os tiros vieram do campus e a arma utilizada era militar.

As autoridades estão investigando o incidente, ocorrido depois de uma trégua de dois dias nas manifestações.

A lei impede que a polícia entre sem autorização no campus da universidade, que se tornou o epicentro dos protestos. As manifestações, que já causaram milhões de euros em prejuízos, se espalharam também para várias outras cidades da Grécia.

Cerca de 500 estudantes, incluindo dezenas que ocupam a faculdade de direito de Atenas, marcharam pelo centro da cidade nesta terça. Muitos deles gritavam "Policiais porcos e assassinos" e empunhavam bandeiras pretas e vermelhas. Diante do parlamento, eles queimaram uma cabeça de porco de mentira, com um chapéu policial.

Ao contrário das manifestações das últimas duas semanas, os protestos foram, em grande parte, pacíficos. O único incidente mais sério foi quando uma gangue de jovens que se separou de uma manifestação arrombou um carro policial vazio no centro de Atenas.

Embora tenham começado por causa da morte do jovem Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, assassinado no dia 6 de dezembro, os protestos catalisam também a insatisfação popular com a crise econômica e os escândalos de corrupção no governo conservador, que tem maioria de apenas um deputado no Parlamento e aparece atrás da oposição socialista nas pesquisas de opinião.

Alguns analistas dizem que, se os protestos durarem meses, o governo será forçado a convocar eleições.

(Reportagem de Daniel Flynn)

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