Jerusalém, 26 nov (EFE).- Cerca de 40 jovens colonos israelenses provocaram distúrbios hoje na cidade de Hebron, na Cisjordânia, onde a tensão aumentou desde que a Corte Suprema ordenou a evacuação de um edifício ocupado por judeus, há dez dias, anunciou a Polícia israelense.

Os jovens arremessaram pedras contra casas palestinas e picharam com spray a Estrela de David em um muro de um bairro palestino, afirmaram as fontes.

Além disso, furaram os pneus de veículos de propriedade de palestinos e da Polícia de Fronteiras, que protege a denominada "Casa da Paz", um edifício de cinco andares ocupado por colonos judeus desde março de 2007.

As casas atacadas ficam próximas à estrada que liga o assentamento judaico de Kiryat Arba ao Túmulo dos Patriarcas em Hebron, onde está enterrado Abraão, segundo a tradição.

No dia 16, a Corte Suprema israelense ordenou o despejo dos colonos da Casa da Paz em 72 horas, ao afirmar que os documentos de compra apresentados pelos moradores foram falsificados. Desde então, mais de 600 ultranacionalistas judeus cercaram o imóvel para impedir sua evacuação.

Nesta terça-feira, em Washington, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, deu a entender que não ordenará a evacuação do edifício e se limitará a proteger os colonos que moram nela, afirma hoje a imprensa local.

"Li com atenção a decisão do Tribunal Supremo. Ordena os ocupantes do edifício a abandoná-lo em três dias e, se não o fizerem, o Governo terá que fazê-lo. Mas não exige explicitamente que o Governo o faça", disse Olmert O primeiro-ministro acrescentou que as forças de segurança atuarão "com força total" para deter os "intoleráveis ataques contra civis e propriedades palestinas".

No entanto, o titular da Defesa, Ehud Barak, afirmou após os distúrbios de hoje que o Governo está decidido a fazer cumprir a decisão do Supremo.

A tensão começou a se agravar na quinta-feira, quando dezenas de colonos entraram em conflito com as forças de segurança israelenses, pintaram a frase "Maomé é um porco" em uma mesquita e profanaram várias túmulos de um cemitério muçulmano.

A cidade de Hebron - onde judeus e muçulmanos veneram os túmulos dos patriarcas bíblicos Abraão, Isaac e Jacó - é a única da Cisjordânia com um assentamento em seu interior.

Os cerca de 500 judeus que o habitam vivem no meio de mais de 110 mil palestinos, sob a proteção do Exército israelense, que tem destacados ali três militares para cada colono.

Já a Corte Suprema pediu ao Estado que explique em 45 dias o motivo pelo qual ainda não desmantelou o assentamento de Migron, considerado ilegal.

A Promotoria indicou à corte que realojará os residentes de Migron em um assentamento considerado legal - segundo o Direito Internacional todos são ilegais -, mas não fará isso "em um futuro próximo".

Além disso, o Tribunal de Distrito de Jerusalém autorizou a família Federman a retornar à casa da qual foi expulsa a força há um mês no assentamento de Kiryat Arba.

"Não há justificativa para proibir o demandado (a família Federman) de morar na Cisjordânia", argumentou o juiz, de cuja decisão recorrerá o próprio ministro da Defesa, que apoiou o despejo e o considerou justificado. EFE ap/ev/jp

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