Jovens brasileiros votam em massa, mas não crêem na democracia

Santiago do Chile, 29 out (EFE).- Mais de 80% da juventude brasileira se diz insatisfeita com a democracia, ao mesmo tempo em que participa amplamente (88%) das eleições, indica um relatório da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal).

EFE |

O documento foi divulgado terça-feira no marco da 18ª Cúpula Ibero-americana, cujo tema é "Juventude e Desenvolvimento".

Este não é o único paradoxo do relatório da Cepal, segundo o qual os jovens da América Latina são sensíveis a questões ambientais, de direitos humanos e de minorias ao mesmo tempo em que, em determinadas circunstâncias, apóiam regimes autoritários.

A insatisfação da juventude brasileira com a democracia é semelhante às de Equador, Paraguai e Peru, também superiores a 80%, diz o texto, que define os jovens latino-americanos como não sendo apáticos nem conservadores, mas sem confiança na política "tradicional".

O relatório, divulgado hoje em Santiago do Chile, sustenta que os jovens "são inovadores em formas de participação; cresceram com o imaginário da democracia e os direitos humanos e são a geração mais sensível à questão ambiental e às reivindicações históricas de minorias".

Paradoxalmente, em algumas circunstâncias, boa parte dos cerca de 42% que expressaram falta de confiança no mundo político e no tipo de governo de seus países, disseram que estariam de acordo com um regime autoritário.

No total, quase 30% dos jovens da América Latina dizem estar dispostos a participar de protestos não-autorizados e outras formas de ação direta não-tradicionais.

No Brasil, esta média é bem superior, chegando a 43%.

Quanto à identidade religiosa, 86% dos jovens da região afirmam ter um credo, principalmente o católico (68%), seguido pelo protestante (18%). A metade (43%) se define como praticante.

"Há uma brecha geracional nas convicções (...)", sustenta o estudo. Segundo a Cepal, os jovens latino-americanos de hoje reorientam sua participação na vida pública para espaços da sociedade civil como fóruns sociais, iniciativas comunitárias, voluntariado e alianças com ecologistas e indigenistas. EFE gs/jp

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