Santiago do Chile - Cerca de 95% dos jovens brasileiros -quase a totalidade- não confiam nas outras pessoas, concluiu um relatório da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal) que ainda apontou desconfiança das instituições políticas, pobreza e pouco proveito da educação.

Em geral, segundo o relatório, menos de 20% dos jovens latino-americanos confiam em terceiros, característica liderada pelo Brasil, com a Nicarágua em segundo lugar (89%).

O estudo, cujo conteúdo foi divulgado hoje em Santiago do Chile pela Cepal, é parte do relatório apresentado no marco da 18ª Cúpula Ibero-Americana realizada esta semana em San Salvador.

Segundo a análise, o desemprego juvenil diminuiu na região na última década e a juventude lidera a compreensão e uso das novas tecnologias.

No entanto, desconfiam das instituições políticas, se sentem discriminados por serem pobres e a educação não lhes serviu como alavanca para a mobilidade social, acrescenta o relatório.

"Os jovens têm mais educação e menos emprego; mais informação, mas menos poder; mais consumo simbólico, mas menos consumo material; mais expectativas de autonomia, mas mais dificuldades para formar famílias próprias," sustenta.

Acrescenta o estudo que uma média de 69% dos jovens da região se dizem discriminados, mais de 20% por serem pobres.

Além disso, mais de 35% dos jovens na América Latina vivem na pobreza, e outros 11,4% em situação de indigência, acrescenta o organismo das Nações Unidas.

A Cepal ressalta que a educação como alavanca de mobilidade social "não funciona igualmente para todos os jovens" e que 10,9% da juventude se sente discriminada porque não conta com suficiente educação.

Argumenta que os que têm menos probabilidades de concluir o ensino médio são os jovens cujos pais não terminaram o ensino formal, os de origem indígena e africana, residentes em zonas rurais e os que gozam de menor bem-estar material.

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