Jovem que atacou Murdoch com 'torta de espuma' será processado

Jonathan May-Bowles é acusado de perturbação da ordem pública após ataque ao dono da News Corporation

iG São Paulo |

O jovem que jogou uma torta de espuma no rosto do magnata australiano Rupert Murdoch durante seu depoimento no Parlamento britânico será processado por perturbação da ordem pública, informou a polícia de Londres nesta quarta-feira.

Jonathan May-Bowles, 26 anos, é comediante e conhecido como Jonnie Marbles. Ele foi preso imediatamente após o ataque, mas depois conseguiu liberdade condicional. Na sexta-feira ele comparecerá a um Tribunal em Londres para responder pelo incidente que, segundo a polícia, causou "medo e angústia" em um local público.

O jovem avançou sobre Murdoch na parte final de seu depoimento sobre o escândalo de escutas ilegais do jornal " News of the World " ao Parlamento britânico, na terça-feira. Segundo o blog do jornal "The Guardian", May-Bowler segurava uma torta feita com espuma de barbear e a jogou contra o rosto do magnata. Em defesa do marido, Wendi Deng se impôs e agrediu o homem.

Um repórter do "Guardian" descreveu a ação da mulher de Murdoch no Twitter dizendo: "Wendi pode dar um belo soco."  Depois que a sessão foi retomada, Murdoch apareceu sem o paletó, em uma indicação de que sua roupa ficou suja após o ataque.

Durante seu depoimento na sessão, que durou cerca de três horas, o magnata australiano negou ser responsável pelo escândalo do tabloide, afirmando que esta terça-feira era o dia mais "comovente de minha carreira".

Murdoch respondeu perguntas dos parlamentares britânicos ao lado do filho, James. Ele também disse ter ficado "chocado, estarrecido e envergonhado" com a revelação de que o jornal tinha grampeado o celular da garota Milly Dowler , morta em 2002, possivelmente atrapalhando as investigações.

Questionado se era responsável pelo escândalo das escutas ilegais, Murdoch foi conciso: "Não." Após o membro do Parlamento insistir na questão, o magnata sugeriu que tinha sido enganado no caso: "(São responsáveis) as pessoas em quem confiei, e talvez as pessoas em quem elas por sua vez confiaram."

Com aparência frágil e falando de forma confusa, Murdoch afirmou que conversava com o editor do News of the World apenas uma vez por mês e "perdeu o jornal de vista" porque ele representava menos de 1% de seus negócios. Batendo as mãos na mesa algumas vezes, o magnata disse: "Emprego 53 mil pessoas éticas e distintas ao redor do mundo."

Em tom mais calmo, James Murdoch , presidente-executivo das operações da News Corp. na Europa e Ásia, lamentou as práticas ilegais utilizadas pelo jornal, que não "condizem com os padrões da empresa". Ele também afirmou não ter evidências de que a direção da News International, braço britânico da News Corp., sabia sobre os grampos.

James tentou intervir por diversas vezes quando seu pai foi interrogado pelo parlamentar trabalhista Tom Watson. Murdoch fazia longas pausas e parecia não saber o que dizer, mas Watson deixou claro que queria ouvir as respostas do magnata, e não de seu filho.

"Seu pai é responsável por uma companhia acusada de irregularidades sérias", afirmou o parlamentar, ao impedir uma das tentativas de James de tomar o controle da situação. "O que ele não sabe e o que os executivos não contam a ele já é revelador."

Inicialmente, Rupert e James Murdoch tinham se recusado a comparecer perante o comitê no Parlamento, mas mudaram de ideia após receber uma intimação formal.

O jornal, que deixou de circular no dia 10 , teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas. Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas do News of the World também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes , morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

Com BBC, AP e EFE

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