Jovem leva educação gratuita a crianças carentes nas Filipinas

Carlos Santamaría. Cavite (Filipinas), 24 jan (EFE).- A cada manhã de sábado, o jovem filipino Efrén Peñaflorida empurra pelos bairros da periferia da cidade um velho carrinho carregado de livros que logo atrai a atenção das crianças, aos quais oferece na rua mesmo educação gratuita como uma oportunidade de saírem da pobreza.

EFE |

Peñaflorida é o cidadão mais querido de Cavite, uma cidade no litoral sul de Manila.

Com 28 anos, o rapaz ficou conhecido no mundo inteiro depois de ser eleito há dois meses o "Herói do Ano" pela rede "CNN".

O grupo de comunicação americano decidiu premiar o incansável trabalho dele em favor da educação, que quer para os seus "alunos" as mesmas chances que teve quando criança.

"Kuya (irmão mais velho) Ef" cresceu na favela cercado pela pobreza e a violência de grupos que recrutavam crianças para o crime, mas teve sorte de ser apadrinhado pela ONG australiana World Vision e conseguiu terminar os estudos e formar-se como técnico em informática.

Em vez de sair em busca de um trabalho, Peñaflorida retornou a Cavite e formou um grupo de educadores voluntários para levar educação aos mais necessitados, conhecido como os "Dynamic Teens".

Inicialmente, percorria a cidade de moto, com um sidecar cheio de material escolar.

Mas depois de por diversas vezes ter o motor danificado e os pneus furados surgiu a ideia do carrinho que acabou se transformando na identidade do movimento.

"Kuya Ef" e sua escola móvel visitam a cada sábado o mercado, o lixão, o cemitério e um assentamento da tribo indígena dos badjao.

Os pequenos, com idades entre dois e 14 anos, sempre o esperam "cheios de esperança e com enorme vontade de aprender", explica à Agência EFE o próprio Peñaflorida.

"Ficamos realizados quando as crianças aprendem a ler e escrever e se dão conta que a educação é importante. Quando vemos que se sentem motivados a abraçar a educação ou quando sorriem temos certeza que tudo isto vale a pena".

Cada menino que se integra ao colégio improvisado tem uma alternativa à vida na rua, onde não há futuro além da miséria ou da delinquência dos mesmos bandos que assediavam Efrén quando criança.

"É claro que tinha medo, como todos, mas me neguei a aderir a esses grupos e, agora, quero devolver a ajuda que recebi", assinala o jovem.

Peñaflorida viajou em novembro passado aos Estados Unidos para receber o prêmio da "CNN" e, no seu retorno às Filipinas, foi condecorado pela presidente, Gloria Macapagal Arroyo, quem o ordenou ao Departamento de Educação seguir seu exemplo e implantar um sistema de ensino similar nas regiões remotas e desfavorecidas do arquipélago.

Depois das diversas homenagens, "Kuya Ef" diz que sua única meta continua sendo seguir unindo mais voluntários e meios à sua organização, em um país onde um terço da população vive na linha de pobreza.

O promotor da iniciativa aumentou sua capacidade desde seu primeiro carrinho com um punhado de livros de segunda mão para quatro carros, que agora também transportam uma clínica de primeiros socorros, uma cantina com comida e até cadeiras e um quadro-negro que transformam à comitiva em uma sala de aula sobre rodas.

"Nosso projeto para o futuro é ter um prédio no qual possamos receber às crianças e também sirva de escola com os mesmos componentes, lugar para uma biblioteca e os computadores, e uma garagem para os carrinhos", deseja "Kuya Ef". EFE csm/dm

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