Jovem cobre ombros do papa com lenço palestino

CIDADE DO VATICANO - Uma jovem que assistiu à audiência pública das quartas-feiras na Praça de São Pedro, no Vaticano, cobriu os ombros do papa Bento 16 com um lenço palestino (kafiah), só retirado depois de alguns minutos de conversa com a moça e o jovem que a acompanhava.

EFE |

O fato aconteceu no fim da audiência, quando Bento 16 costuma cumprimentar os vários presentes, como cardeais, arcebispos, bispos, sacerdotes, personalidades da política e da cultura, recém-casados e o público em geral.

Entre as pessoas de quem o papa se aproximou hoje estavam a moça que lhe colocou o lenço e seu acompanhante, ambos vindos de Belém, território sob controle da Autoridade Nacional Palestina (ANP).


Jovem coloca lenço sobre os ombros do papa / AP

Os dois faziam parte de uma caravana de 27 pessoas que veio da paróquia Campo dos Pastores, informou o Vaticano.

Ambos os jovens, escolhidos pelo seu grupo para saudar o papa, entregaram ao Pontífice um envelope e, enquanto falavam com ele, a moça colocou nos ombros de Bento 16 o lenço palestino preto e branco que seu acompanhante usava.

Apesar do gesto, o papa continuou conversando com a dupla. Pouco depois, seu secretário particular, Georg Gaenswein, tirou o lenço das costas do Pontífice.

Bento 16 viajará à Terra Santa no próximo dia 8. Além de Belém, o papa visitará um campo de refugiados palestinos próximo à cidade, entre outras localidades.

Crise econômica

Durante a audiência desta quarta-feira, o papa Bento 16 disse que a atual crise econômica é a prova de que a cobiça e a avidez são a raiz de todos os vícios e de todos os males, tanto para as pessoas como para a sociedade.

A afirmação do Pontífice foi feita às cerca de 40 mil pessoas que estavam na Praça de São Pedro.

Durante seu sermão, Bento 16 comentou a vida e a obra do monge Ambrosio Autperto, morto no ano 784 e que, além de mentor do imperador Carlos Magno, foi autor de um livro sobre os vícios.

Fazendo menção ao livro "Conflictus", de Autperto, o papa disse que aqueles que têm avidez acham que "ter" é o mais importante valor do ser humano, junto com as falsas aparências. Ainda segundo o Pontífice, tudo isso destrói o mundo.

"A avidez é a raiz de todo o mal. Todos os vícios do homem provêm de uma única raiz, da cobiça, e podemos ver isso atualmente. A crise econômica mundial que vivemos mostra que tem sua raiz na avidez", afirmou Bento 16.

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