Jovem avança sobre Murdoch, que é defendido por sua mulher

Ataque forçou suspensão de sessão em que magnata da mídia e filho prestavam depoimento sobre escutas ilegais de tabloide

iG São Paulo |

A sessão parlamentar em que o magnata australiano Rupert Murdoch prestou depoimento sobre o escândalo de escutas ilegais do News of the World foi suspensa por 15 minutos nesta terça-feira depois de um manifestante avançar sobre ele segurando uma torta feita com espuma de barbear, jogando-a contra seu rosto, segundo o blog do Guardian. Em defesa do marido, Wendi Deng se impôs e agrediu o homem.

Um repórter do Guardian descreveu a ação da mulher de Murdoch no Twitter dizendo: "Wendi pode dar um belo soco." Na sala da comissão, a polícia segurou o homem algemado, que foi visto com espuma branca cobrindo seu rosto e camiseta.

Depois que a sessão foi retomada, Murdoch apareceu sem o paletó, em uma indicação de que sua roupa ficou suja após o ataque. O agressor foi identificado como Jonnie Marbles, um comediante britânico. Pouco antes do ataque, ele escreveu em seu Twitter: "É muito melhor o que faço agora do que o que fiz antes."

Durante seu depoimento na sessão, que durou cerca de três horas, o magnata australiano negou ser responsável pelo escândalo do tabloide , afirmando que esta terça-feira era o dia mais "comovente de minha carreira".

Murdoch respondeu perguntas dos parlamentares britânicos ao lado do filho, James. Ele também disse ter ficado "chocado, estarrecido e envergonhado" com a revelação de que o jornal tinha grampeado o celular da garota Milly Dowler , morta em 2002, possivelmente atrapalhando as investigações.

Questionado se era responsável pelo escândalo das escutas ilegais, Murdoch foi conciso: "Não." Após o membro do Parlamento insistir na questão, o magnata sugeriu que tinha sido enganado no caso: "(São responsáveis) as pessoas em quem confiei, e talvez as pessoas em quem elas por sua vez confiaram."

Com aparência frágil e falando de forma confusa, Murdoch afirmou que conversava com o editor do News of the World apenas uma vez por mês e "perdeu o jornal de vista" porque ele representava menos de 1% de seus negócios. Batendo as mãos na mesa algumas vezes, o magnata disse: "Emprego 53 mil pessoas éticas e distintas ao redor do mundo."

Em tom mais calmo, James Murdoch , presidente-executivo das operações da News Corp. na Europa e Ásia, lamentou as práticas ilegais utilizadas pelo jornal, que não "condizem com os padrões da empresa". Ele também afirmou não ter evidências de que a direção da News International, braço britânico da News Corp., sabia sobre os grampos.


James tentou intervir por diversas vezes quando seu pai foi interrogado pelo parlamentar trabalhista Tom Watson. Murdoch fazia longas pausas e parecia não saber o que dizer, mas Watson deixou claro que queria ouvir as respostas do magnata, e não de seu filho.

"Seu pai é responsável por uma companhia acusada de irregularidades sérias", afirmou o parlamentar, ao impedir uma das tentativas de James de tomar o controle da situação. "O que ele não sabe e o que os executivos não contam a ele já é revelador."

Inicialmente, Rupert e James Murdoch tinham se recusado a comparecer perante o comitê no Parlamento, mas mudaram de ideia após receber uma intimação formal.

Depois do depoimento dos dois, também depôs Rebekah Brooks , ex-editora-executiva da News International que deixou o cargo sob pressão por seu suposto envolvimento com o escândalo de grampos e compra de informações de policiais. Brooks, que era a editora do News of the World à época das escutas, foi detida no domingo e solta sob fiança após 12 horas sob custódia. Aos legisladores, Rebekah Brooks negou ter pago policiais para obter informações enquanto foi editora do tabloide News of the World, entre 2000 e 2003.

Investigação

Na segunda-feira, a ministra britânica do Interior, Theresa May, anunciou a abertura de um inquérito para investigar as acusações de corrupção policial diante de denúncias de que jornalistas do News of the World teriam pago propina à polícia para obter informações. Para a ministra, a investigação deve tirar lições sobre a relação entre policiais e profissionais da mídia.

O jornal, que deixou de circular no dia 10 , teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas. Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas do News of the World também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes , morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

Na segunda-feira, um ex-jornalista do News of the World foi encontrado morto em sua casa em Watford, a 30 km de Londres. Sean Hoare foi o pivô de acusações contra Andy Coulson. Segundo o jornalista, o ex-editor do jornal encorajava os funcionários a interceptar mensagens de celular de políticos e personalidades para obter informações exclusivas. Nesta terça-feira, a polícia do condado de Hertfordshire, no Reino Unido, descartou que ele tenha sido assassinado , reafirmando que sua morte não é suspeita.

Com 43 anos, Coulson era editor do News of the World entre 2003 e 2007, quando as escutas ilegais foram realizadas, e atuou como porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, até janeiro deste ano. Em 8 de julho, ele foi detido sob suspeita de corrupção e, depois de prestar um depoimento de nove horas, foi solto após o pagamento de fiança .

O escândalo vem colocando pressão sobre o premiê David Cameron, que decidiu encurtar uma viagem pelo continente africano para comparecer ao Parlamento na quarta-feira e responder às questões dos parlamentares sobre as últimas revelações do caso.

A oposição trabalhista e os conservadores dentro do próprio governo têm criticado Cameron por sua decisão de contratar Coulson como seu diretor de comunicação.

Com BBC, AP e EFE

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