Joseph Biden: uma voz experiente na política americana

César Muñoz Acebes Washington, 23 ago (EFE).- Joseph Biden, escolhido pelo democrata Barack Obama como candidato à vice-presidência na sua chapa, é um homem que gosta de escutar sua própria voz, mas que respalda com experiência seus abundantes comentários.

EFE |

Apesar de seu aspecto aristocrático, Biden, um católico de 65 anos, tem origens humildes. É filho de um vendedor de automóveis.

É uma pessoa íntegra que se lançou na política com seu próprio esforço e que superou a tragédia de perder a sua primeira esposa e a sua filha em um acidente de trânsito em 1972.

Além disso, não confunde os nomes de líderes estrangeiros.

Em seu posto de presidente do comitê de Relações Exteriores do Senado, Biden conhece de trás pra frente os assuntos das potências mundiais.

No fim de semana passado, por exemplo, enquanto outros dos nomes citados como possíveis candidatos à vice-presidência se exibiam na televisão, Biden estava em Tbilisi, a convite do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, que tenta conquistar o apoio do mundo em seu conflito com a Rússia.

A viagem testemunha a estatura no palco internacional deste homem oriundo da Pensilvânia, e que cresceu no pequeno estado contíguo de Delaware.

Este é um lugar que ele ganhou após décadas no Senado dos Estados Unidos, a onde entrou com apenas 30 anos, a idade mínima permitida.

Desde então, Biden esteve tanto na oposição como na maioria no Senado, mas sempre manteve seu tom incisivo e colaborador ao mesmo tempo.

Tentou a candidatura à Presidência - nunca passou dos primeiros momentos da campanha de primárias - duas vezes, a primeira em 1988 e a segunda este mesmo ano.

Nesta última vez, protagonizou algumas rusgas com Barack Obama, a quem criticou por sua falta de experiência.

Eram argumentos de um veterano senador em direção a um "júnior" como Obama, argumentos muito similares aos utilizados agora pelo republicano John McCain para atacar seu colega democrata de Illinois.

Além disso, Biden votou a favor de dar ao presidente George W.

Bush autorização legislativa para invadir o Iraque, enquanto Obama usou sua rejeição desde o princípio à guerra como prova de que o bom julgamento não depende de se estar muito tempo no Senado.

No entanto, o senador negro escolheu Biden, apesar de suas palavras às vezes incontidos. Biden, que representa um dos menores estados da União, tem o que a ele lhe falta.

Os meandros nos quais às vezes Biden se perde ao falar não tiram o mérito de um intelecto extremamente ágil, que ganhou o reconhecimento de seus colegas.

Impecável em seu aspecto, freqüentemente mordaz mas sempre inteligente, tem no entanto uma mancha em sua ficha: em 1987 plagiou parte de um discurso para sua campanha à Presidência dos EUA.

Por outro lado, sua vida pessoal é uma história de dedicação e perseverança.

A morte de sua mulher e de sua filha mais velha, causada por um motorista bêbado, aconteceu em dezembro de 1972, pouco após sua eleição para o Senado, mas ele não se afogou na amargura e se dedicou aos outros dois filhos do casal, que ficaram gravemente feridos.

Atualmente, Beau, o maior, é Procurador-geral de Delaware e militar que será enviado ao Iraque em outubro, pois pertence ao corpo de reservistas do estado. Hunter, o mais novo, é advogado.

O senador é um grande jurista, que semanalmente dá aulas de direito em seu estado natal, uma atividade que raramente deixa de realizar.

Biden se casou de novo em 1977 e tem outra filha, Ashley, uma assistente social.

Em 1988 sofreu dois aneurismas que quase acabaram com sua vida.

Mas se recuperou e retornou ao Senado com menos cabelos e mais brancos.

O que não mudou nunca, desde 1973, é sua rotina de viajar em trem diariamente de Wilmington (Delaware) até Washington, durante hora e meia, para chegar a seu escritório na capital.

cma/ma

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