Jorge Bañales Washington, 23 ago (EFE) - O recém-eleito candidato democrata à Vice-Presidência dos Estados Unidos, Joseph Biden, um experiente senador, estreou hoje na campanha de Barack Obama abraçando a mensagem de mudança promovida pelo aspirante, ao denunciar que a política em Washington está falida. Na apresentação do companheiro de chapa, o candidato democrata à Casa Branca, que durante a campanha criticou muito o funcionamento da política em Washington, não fez referência a que Biden faz parte deste sistema há três décadas. No entanto, afirmou que o vice escolhido é um homem que, há 35 anos, lutou pela mudança de Washington, e conseguiu que Washington não o mudasse. Nesta linha, Biden afirmou que o momento político atual é decisivo. Nunca, em 35 anos de trabalho legislativo, vi Washington tão falido, nem tantas decisões importantes diferidas por políticos que evitam suas responsabilidades, acrescentou.

"Chegou o momento de encarar a realidade", acrescentou Biden, e a multidão respondeu cantando "Obama, Obama", seguido do lema da campanha do senador por Illinois: "Sim, é possível (mudar)".

"Chegou o momento de uma mudança total em Washington, e, para isso, é necessário um líder sábio, um líder que possa conseguir a mudança da qual precisamos", continuou o senador.

Obama e Biden fizeram sua primeira aparição conjunta em Springfield, Illinois, no mesmo lugar onde o candidato democrata anunciou que se lançava à corrida presidencial, há 19 meses.

Em uma tarde quente e ensolarada, e diante 20 mil simpatizantes, os dois apareceram vestidos de forma similar, com calças escuras, camisa de manga longa, e diferiam apenas na cor das gravatas: vermelha para Obama e azul para Biden, justamente as cores da bandeira dos Estados Unidos.

Obama aproveitou o ato para destacar as qualidades de Biden que mais podem lhe ajudar em sua candidatura, como a longa experiência do companheiro de chapa na política internacional, e o fato de esse proceder de uma família trabalhadora e católica. Calcula-se que 20% dos eleitores, 20 milhões de pessoas, abracem esta religião.

Ao longo da campanha, os analistas destacaram as dificuldades de Obama para atrair o voto da classe trabalhadora, e sua falta de experiência nos assuntos internacionais.

Em seu discurso, o candidato presidencial qualificou de "desastrosa" a política externa do presidente americano, George W.

Bush, a qual, segundo Obama, será seguida pelo candidato presidencial republicano, John McCain.

"Biden me ajudará a encerrar o capítulo da politicagem partidária em Washington, para que possamos trabalhar juntos, democratas, republicanos e independentes, nos problemas que enfrenta o país", acrescentou.

"Acredito que, com Biden, poderemos encaminhar este país em uma nova direção", disse Obama.

"Com bons empregos que recompensem o trabalho em vez da riqueza, com assistência médica acessível para todas as famílias, com novas políticas energéticas, e uma política internacional que não se sustente só na intimidação e nos erros de julgamento", destacou.

O Governo dos Estados Unidos, disse Obama, de 47 anos, "caiu preso dos grupos de interesses especiais".

"Os americanos não podem dar-se o luxo de suportar outros quatro anos das mesmas políticas que fracassaram", acrescentou. "Tivemos oito anos de políticas fracassadas, oito anos de fracassos em política externa".

Biden, de 65 anos, assegurou, por sua vez, que os EUA estão "no momento mais significativo da história desde (a Presidência de) Franklin Delano Roosevelt".

"Estes não são tempos comuns: podemos mudar não só o rumo dos Estados Unidos, mas o rumo de todo o mundo", acrescentou.

Biden fez uma crítica dura à Administração Bush, que, segundo ele, "deu às empresas um corte de impostos após outro, enquanto milhões de famílias sofrem a perda de valor de seus salários, enquanto milhões de famílias vêem que o valor de suas casas cai junto com seus sonhos".

"Enquanto milhões de famílias não sabem como colocarão comida na mesa esta noite, McCain não saberia em qual das sete cozinhas teria que colocá-la", disse Biden, em referência ao incidente sofrido pelo candidato republicano, quando, perguntado por um jornalista, não soube responder quantas casas possuía.

Biden disse que tem afeto e respeito pelo senador do Arizona, mas sustentou que o candidato republicano "não pode fazer mudanças quando votou 95% das vezes nas políticas da Administração Bush". EFE jab/db

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