Josef Fritzl, o austríaco que manteve a filha por 24 anos em cativeiro

Jordi Kuhs Amstetten- O engenheiro aposentado austríaco Josef Fritzl, tristemente famoso desde domingo passado pelo confinamento e abuso sexual contra a própria filha durante 24 anos, é um homem dinâmico, mas autoritário, que escondia um vício perverso.

EFE |

Segundo lembram vários vizinhos e conhecidos de Fritzl, ele sempre tentava estar bronzeado, paquerava as mulheres e chamava a atenção pelo exagerado cuidado de seu jardim, onde foi descoberto o calabouço subterrâneo, onde a filha Elisabeth teve que viver durante 24 anos.

Ali nasceram sete filhos, produto dos sistemáticos estupros sofridos pela jovem por parte do próprio pai.

Uma das crianças morreu pouco depois de nascer e foi incinerado por Fritzl, três foram educados como netos e os outros três permaneceram até poucos dias atrás fechados no cativeiro de 60 metros quadrados adjunto à casa da família.

Segundo os relatos de vários vizinhos, Fritzl governava sua casa "como um tenente-general", era muito zeloso em relação a sua privacidade, o que explicaria o motivo de ninguém da família ter percebido que mantinha a filha trancada em um cativeiro debaixo do jardim.

"Não deixava que sua mulher, Rosemarie, falasse muito tempo com as pessoas, sempre insistia para que os membros de sua família permanecessem em casa", disse à Agência Efe uma moradora que durante anos viveu no edifício vizinho.

"Sempre nos chamou a atenção que Fritzl trabalhasse até altas horas da noite no jardim, mas nunca poderíamos imaginar o que estava fazendo na verdade", acrescentou Karina, uma jovem que mora na mesma rua.

A jovem conhece Lisa, uma das filhas-netas de Fritzl que vivia na casa, há anos e a descreve como "muito tranqüila, mas simpática".

A imprensa sensacionalista austríaca publica hoje uma foto de Fritzl bronzeado e de roupa de banho, uma imagem que teria sido tirada em 1998 em uma praia da Tailândia, onde ficou por duas semanas de férias com um amigo.

"Todos sabiam disso, gostava muito de ir de férias à Tailândia. O senhor já sabe a que me refiro", disse outra vizinha, em referência ao possível abuso sexual de menores nesse país asiático.

O jornal "Kronen Zeitung" afirma hoje saber que o acusado já tinha antecedentes criminais por assédio sexual de uma mulher (que não era parente dele), por isso teria sido preso, mas as autoridades não confirmaram estas versões, alegando que os possíveis crimes já prescreveram.

O jornal inclusive publica uma foto de Fritzl de 1982, tirada durante o processo judicial em um tribunal austríaco.

Gerda S., uma ex-colega de trabalho de Fritzl, diz ao jornal "Österreich" que ele sempre estava bem vestido, "parecia um diplomata", e que gostava de paquerar as mulheres.

"Era uma pessoa especialmente vaidosa, sua gravata nunca estava mal colocada e seus sapatos, sempre reluzentes", afirmou em declarações ao jornal.

    Leia tudo sobre: áustria

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG