Josef Fritzl é condenado à prisão perpétua

ST. POELTEN - O austríaco Josef Fritzl, que manteve sua filha presa em um porão por 24 anos e teve sete filhos com ela, foi condenado à prisão perpétua nesta quinta-feira, na Áustria. Ele foi considerado culpado de todas as acusações: assassinato, prática de escravidão, coerção, incesto, estupro e cárcere privado.

Redação com agências internacionais |

AP
Josef Fritzl chega ao tribunal rodeado por policiais

Josef Fritzl chega ao tribunal rodeado por policiais

Segundo as agências AP e AFP, Fritzl ficará preso em uma clínica psiquiátrica. Adelheid Kastner, a psiquiatra que traçou o perfil psicológico de Josef Fritzl, sugeriu que ele fosse confinado numa instituição para pacientes com demências anormais.

Num depoimento à TV local ORF, a profissional, que passou um total de 25 horas entrevistando o acusado, afirmou que é grande a possibilidade de ele tentar cometer suicídio.

"Quando ele confessou seus crimes, chegou o momento que seu castelo de cartas desmoronou. Ele terá problemas para conviver com sua nova realidade", afirmou Kastner.

Fritzl, de 73 anos, admitiu todas as acusações feitas contra ele. Nesta quinta-feira, antes de o veredicto ser anunciado, ele disse: "Lamento do fundo do coração o que fiz a minha família. Infelizmente, não posso desfazer o que fiz. Posso apenas tentar limitar o dano da melhor forma que puder".

Segundo a agência AP, Fritzl disse não ter a intenção de recorrer do veredicto. Oficiais disseram que ele não poderá tentar liberdade condicional nos próximos 15 anos e que qualquer decisão judicial para libertá-lo teria de contar com o apoio de psiquiatras.

Fim do julgamento

O último dia do julgamento começou de forma tumultuada no tribunal, quando o advogado de defesa Rudolf Mayer distribuiu para a imprensa cópias de um e-mail que teria recebido, com ameaças de morte.

No início da sessão, a promotora Christiane Burkhaiser fez o seu discurso apelando aos jurados pela pena de prisão perpétua. Depois, foi a vez de Mayer fazer suas considerações finais, pedindo uma diminuição da pena diante da confissão do réu.

O advogado confirmou em seu discurso que Elisabeth Fritzl, a filha do austríaco, esteve presente no tribunal durante a sessão de terça-feira, em que foi exibido seu depoimento gravado em vídeo, descrevendo os abusos sofridos durante os 24 anos de cativeiro.

Neste período, Elisabeth deu à luz sete filhos de Fritzl. Três das crianças cresceram com ela, no porão, e outras três foram criadas por Fritzl e sua mulher, na casa dele. Um sétimo filho morreu pouco depois de nascer, após apresentar problemas respiratórios.

Este teria sido o pivô da acusação de assassinato por negligência já que, apesar dos pedidos de Elisabeth, Fritzl se negou a buscar ajuda para a criança. O réu disse que o depoimento da filha o fez mudar de ideia e se declarar culpado de todas as acusações.

A polícia austríaca agora está investigando se existe a ligação de Josef Fritzl com outros quatro casos de homicídios ligados à violência sexual que ocorreram na Áustria em locais perto de onde ele morou.

Os delitos ocorreram entre 1966 e 2007. A polícia já fez buscas na casa de Fritzl atrás de objetos destas vítimas, mas não encontrou nada. Como suspeito, ele pode ser submetido a interrogatórios sobre cada um dos casos.

Fritzl é condenado; assista ao vídeo:


(Com informações da BBC e da AP)


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