Jornalistas libertadas da Coreia do Norte chegam aos EUA

O avião transportando o ex-presidente americano Bill Clinton e as duas jornalistas americanas que estavam presas na Coreia do Norte aterrissou nesta quarta-feira em Los Angeles. Laura Ling e Euna Lee receberam na terça-feira (horário do Brasil) um perdão especial do líder norte-coreano, Kim Jong-Il, após um encontro entre o mandatário e Clinton, que realizou uma visita de surpresa ao país asiático.

BBC Brasil |

As duas estavam presas desde março na Coreia do Norte, quando foram condenadas a 12 anos de trabalhos forçados por ter cruzado ilegalmente a fronteira com a China.

Esforçando-se para conter as lágrimas após um emocional reencontro com a família, Laura Ling, falando em nome das duas jornalistas, descreveu sua surpresa e alívio ao ser levada para um encontro com Kim Jong-Il e encontrá-lo ao lado de Clinton.

"Ficamos chocadas. Mas sentimos no mesmo instante que o pesadelo de nossa vidas estava finalmente chegando ao fim", declarou.

Ela agradeceu a Coreia do Norte e o ex-presidente americano, e disse que precisará de um período "privado e quieto" com a família para se recuperar do episódio.

"Os últimos 140 dias foram os mais difíceis e arrasadores de nossas vidas."
As duas repórteres foram presas quando produziam um vídeo sobre refugiados norte-coreanos para a TV online do ex-vice-presidente de Clinton, Al Gore.

Missão particular
O encontro tem sido tratado por Washington como uma missão particular de Clinton. A Casa Branca insiste que o controvertido programa nuclear do país não foi discutido durante a reunião entre Kim Jong-Il e Clinton.

A secretária americana de Estado Hillary Clinton, esposa do enviado americano, viu com bons olhos o encontro, mas ressalvou que ele não muda as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano levadas a cabo no grupo dos seis - as duas Coreias, os Estados Unidos, e as potências regionais Rússia, Japão e China.

Ainda assim, disse o repórter da BBC em Washington Daniel Sandford, o regime de Pyongyang parece ter apostado em que Clinton desempenhe - ainda que informalmente - o papel de fazer chegar seu recado ao coração do governo americano.

O correspondente mencionou relatos de que as mulheres nem sequer teriam iniciado o cumprimento de sua pena.

Em vez disso, teriam permanecido em condições relativamente boas durante o episódio, e servido mais como "peões" em um jogo diplomático orquestrado por Kim Jong-Il para atrair um enviado americano de altíssimo nível.

A visita não anunciada dele a Pyongyang foi a mais notória por parte de uma personalidade americana desde 2000, quando a então secretária de Estado Madeleine Albright esteve na capital norte-coreana.

A agência de notícias oficial da Coreia do Norte, KCNA, descreveu o perdão como um exemplo da "política humanitária e pacífica" do país.

Obama
Falando nesta quarta-feira sobre a libertação das jornalistas no Quênia, o presidente disse estar "extraordinariamente aliviado" com o ocorrido.

"Eu acho que reencontro que todos nós vimos na TV é uma fonte de felicidade não apenas para as famílias, mas para o país inteiro."
No início de um giro por países africanos, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que os Estados Unidos "trabalharam duro" pela libertação das jornalistas. Mas afirmou que essas negociações constituem algo "totalmente separado" do tema nuclear.

"O futuro das nossas relações com os norte-coreanos realmente depende deles", disse Clinton.

A Coreia do Norte abandonou as negociações em abril, depois que a ONU condenou testes de mísseis balísticos realizados por Pyongyang.

Agora, porém, analistas dizem que a Coreia do Norte quer melhorar a relação com os Estados Unidos, porque Kim Jong-Il, cujo estado de saúde vem sendo alvo de especulações, já se prepararia para nomear seu terceiro filho como sucessor.

O líder norte-coreano teria sofrido um derrame há um ano e sofre de diabetes e doenças cardíacas.

Hillary Clinton disse que a Coreia do Norte precisa escolher como conduzirá o tema das negociações nucleares, e optar entre "continuar a seguir o caminho das ações de provocações, que os isolam ainda mais da comunidade internacional" e retomar as negociações.

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