Jornalistas e estudantes protestam contra governo Chávez em Caracas

CARACAS - Centenas de jornalistas se concentraram em frente a sede da Procuradoria-Geral em Caracas, nesta sexta-feira, para protestar pela agressão de 12 repórteres durante um protesto pacífico.

AFP |

Paralelamente, grupos de estudantes marcharam em vários pontos da cidade contra a nova lei da educação, aprovada à meia-noite de quinta-feira pela Assembléia Nacional (Parlamento), dominada pelo governo.


Caracas é palco de confrontos violentos desde quinta-feira / AP

De acordo com imagens mostradas na televisão local, um grupo de estudantes foi dispersado com gás lacrimogêneo pela polícia.

"Está na hora das pessoas perceberem que precisam se mobilizar. Continuemos nesta luta para o futuro do povo venezuelano", pediram porta-vozes do movimento estudantil.

Enquanto a Assembléia Nacional debatia essa lei, que confere ao Ministério da Educação um papel preponderante na educação, 12 jornalistas que distribuíam panfletos contra essa norma teriam sido agredidos por um grupo partidário do governo.

As notícias e fotos da agressão dos comunicadores estão nas primeiras páginas da imprensa nacional e a agressão foi condenada pelo sindicato da imprensa, pelo colégio de jornalistas e pela ministra da Comunicação e Informação, Blanca Eeckhout.

"Somos jornalistas, não somos golpistas", "Pare de agredir jornalistas," gritavam os manifestantes nesta sexta-feira.

Por sua vez, a procuradora-geral Luisa Ortega disse nesta sexta que vai agir rapidamente para "determinar as responsabilidades" pelo ocorrido.

Lei polêmica

Foi aprovada na última quinta-feira, após dez horas de debates, a lei da educação, que prevê uma série de reformas no sistema educacional , como o maior papel do Estado na área e a extensão do ano letivo a no mínimo 200 dias.

A oposição e entidades que defendem a educação particular e religiosa acusam o governo de Hugo Chávez de querer doutrinar os estudantes com base em seu "socialismo do século 21". Contudo, o ministro da Educação, Héctor Navarro, afirma que a lei "é necessária para garantir a igualdade de oportunidades" no país.

Após modificações, os parlamentares ratificaram o projeto e o devolveram à Comissão da Educação, que deve redigir um novo informe. Este será novamente avaliado em Plenário. Durante a sessão houve manifestações a favor e contra a iniciativa.

A bancada opositora no Congresso se retirou da sessão e anunciou a convocação de um referendo contra a medida, considerada "inconstitucional" pelo deputado Ismael García, do partido Podemos.

"Aqui não se ouviu a ninguém, não se escutou os pedidos da Igreja Católica. Chegou a hora de reagir, não vamos aceitar esta lei, vamos pedir um referendo para perguntar ao povo se aceita ou não esta lei", disse.

O governista Luis Tascón, por sua vez, acusou o Podemos de buscar criminalizar o Parlamento por não ter bons argumentos contra o projeto.

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