Jornalistas agredidos durante ensaios do aniversário da China

Pequim, 21 set (EFE).- Três jornalistas estrangeiros foram agredidos por um grupo não identificado quando filmavam os ensaios para as celebrações do 60º aniversário de fundação da República Popular, informou hoje o Clube de Correspondentes Estrangeiros na China (FCCC, na sigla em inglês).

EFE |

Os correspondentes - dois japoneses e um chinês que trabalham para a agência de notícias japonesa "Kyodo News" - foram atingidos quando estavam em um quarto do Hotel Beijing, de onde observavam a Praça da Paz Celestial.

Além de agredir os jornalistas, o grupo também danificou os equipamentos de filmagem, segundo divulgou a "Kyodo".

"O ataque é um passo atrás nos esforços da China para abrir o entorno jornalístico. Pedimos moderação às autoridades (chinesas), que devem seguir suas próprias normas, mas permitam aos jornalistas informar livremente", reforçou o presidente do FCCC, Scott McDonald.

Por causa das celebrações do 60º aniversário, que serão realizadas em outubro, há um reforço além do habitual no controle de segurança pelo Governo chinês.

Nas últimas semanas, os jornalistas estrangeiros que trabalham na China receberam advertências do Ministério de Assuntos Exteriores que está proibida a filmagem dos preparativos do aniversário ou até mesmo observar pelas janelas.

As autoridades, no entanto, não especificam as áreas da proibição e também não detalham qual é a lei ou a regulamentação que embasa a decisão.

O FCCC quer que a "Chancelaria chinesa detalhe por escrito qual a norma relacionada à cobertura de eventos", segundo o comunicado divulgado hoje.

Em setembro, a Polícia paramilitar de Xinjiang (oeste da China) reprimiu com violência uma equipe de jornalistas de Hong Kong que filmavam os conflitos étnicos naquela região, e perseguiu outra de televisão americana que entrevistava famílias contaminadas pela poluição por chumbo no sangue.

Apesar das autoridades locais afirmarem que há liberdade de imprensa e que os correspondentes estrangeiros têm liberdade para trabalhar, no ano passado, a China foi considerada pelas ONGs, Anistia Internacional e Repórteres Sem Fronteiras, como um dos países mais repressivos com a imprensa, com mais de 20 jornalistas presos de um universo de 125 no mundo.

Em 2008, segundo estatísticas do FCCC, 178 jornalistas estrangeiros foram perseguidos ou atacados, um número superior aos 160 do ano anterior, apesar das promessas de melhoria por causa dos Jogos Olímpicos. EFE mz/dm

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