Jornalistas afegãos pedem libertação de repórter condenado à morte

Cabul, 9 jul (EFE).- Centenas de jornalistas se manifestaram em 15 províncias afegãs para pedir a libertação do repórter Syed Parvez Kambakhsh, condenado à morte por questionar o papel das mulheres no mundo islâmico, informou hoje em comunicado a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF).

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"A Justiça deveria ter cancelado a condenação à morte do jovem jornalista, pois um médico confirmou que tinha sofrido torturas, e também porque não teve acesso à defesa no julgamento em primeira instância", disse a organização no comunicado.

As manifestações ocorreram nesta terça-feira em várias cidades do Afeganistão, e segundo o irmão do condenado, o também jornalista Yaqub Ibrahimi, mobilizaram um grande número de pessoas em Bamiyan (centro), Herat (oeste), Balkh e Kunduz (norte) e Nangarhar (leste).

No comunicado, a RSF denuncia várias irregularidades e afirma que o processo de apelação para conseguir a libertação do condenado segue muito lentamente, "apesar das garantias do Governo".

Kambakhsh, um jovem estudante universitário e jornalista do diário "Janan-e-Naw" (Novo Mundo), foi condenado à morte em janeiro, por um tribunal da cidade afegã de Mazar-e-Sharif, por ter divulgado um texto que questiona o tratamento recebido pelas mulheres no Islã.

"Como pode ser um crime questionar esse tipo de coisa?", perguntou a organização no comunicado.

Os juízes afegãos, no entanto, consideraram o texto "insolente" e "blasfemo", e declararam o jovem culpado de possuir "literatura antiislâmica".

Segundo a RSF, o processo contra Kambaksh visa, na realidade, atingir seu irmão Ibrahimi, que trabalha como repórter investigativo. EFE nh/gs

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