Jornalista sudanesa terá que pagar multa de US$ 200 por usar calças

A jornalista sudanesa julgada por vestir calças, Lubna Hussein, terá que pagar uma multa de US$ 200, de acordo com uma sentença determinada hoje por um tribunal de Cartum, que ordenou sua libertação, segundo confirmou seu advogado.

EFE |

A mulher foi detida em julho, em um café na capital sudanesa, por vestir calças jeans, vestimenta considerada por lei como "imoral", motivo pelo qual enfrentava uma condenação a 40 chicotadas.

O advogado da repórter, Nabil Adib, insistiu na inocência da jornalista e rejeitou qualquer tipo de castigo, além de assegurar que vai apelar da sentença.

"Conduta imoral"

Lubna foi julgada conforme a cláusula 152 de uma lei que estipula que "toda pessoa que se comportar com conduta imoral, ou se apresentar em público com um vestuário contrário à decência, será castigada com 40 chicotadas e com o pagamento de uma multa".

A jornalista trabalhava no escritório de imprensa da missão das Nações Unidas em Cartum, mas decidiu renunciar a seu emprego para enfrentar a Justiça e conseguir, em último caso, a derrogação da lei.

Horas antes da realização do julgamento, a Polícia deteve pelo menos 40 mulheres ativistas que participavam de uma manifestação em apoio a Lubna.

Segundo a agência Efe, os policiais, dotados com material antidistúrbios, dissolveram o protesto no qual participavam 150 manifestantes, em sua maioria mulheres que vestiam calças, para expressar seu apoio à repórter.

Em outra concentração, dezenas de homens também se reuniram em frente ao tribunal e cantaram temas religiosos com os quais condenavam a conduta de Lubna, qualificada de "prostituta", e pedindo o máximo castigo para ela.

Houve enfrentamentos entre os grupos de manifestantes, o que exigiu uma intervenção da Polícia.

Uma das ativistas, a médica Amal Hasan, disse à Efe que a Polícia jogou no chão, violentamente, uma das manifestantes, antes de levá-la para um caminhão.

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