Jornalista russo entra em coma após ser agredido em Moscou

Amigos de Oleg Karshin, do jornal Kommersant, acreditam que agressão esteja ligada a reportagens investigativas que ele fazia

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Jornalista do Kommersant em foto de agosto de 2009
Um jornalista político do jornal independente Kommersant ficou em coma, após ser gravemente ferido por dois agressores em Moscou, um ataque que seus colegas denunciam como um novo atentado contra a liberdade de imprensa na Rússia.

"Oleg Karshin foi gravemente ferido e hospitalizado. Será mantido em coma induzido nos próximos dias", noticiou o jornal para o qual ele trabalha.

Segundo sua esposa, Evguenia Milova, o jornalista, de 30 anos, sofreu um grave traumatismo craniano, informou sua esposa. Karshin também sofreu fraturas na tíbia, mandíbulas inferior e superior e nas falanges das duas mãos, acrescentou a mulher.

Segundo o Kommersant, foi preciso amputar um dedo e os médicos não fizeram "nenhum prognóstico" por enquanto sobre o seu estado de saúde.

De acordo com testemunhas, o jornalista foi agredido na noite de sexta-feira por dois homens que o aguardavam no pátio de seu edifício, na rua Piatnitskaya, em pleno centro de Moscou. A promotoria da capital russa informou ter aberto uma investigação sobre a "tentativa de assassinato".

Investigações

Alegando que nem o iPhone ou o dinheiro que levava haviam sido roubados, os colegas de Oleg Kashin consideraram que esta agressão está ligada, sem sombra de dúvidas, às reportagens e investigações que ele fazia.

"Está claro que as pessoas que fizeram isto não gostavam o que ele dizia, nem escrevia", declarou o redator-chefe do Kommersant, Mikhail Mijailin.

Jornalista político do Kommersant, um dos principais jornais independentes de Moscou, Kashin cobria as atividades da Presidência russa, mas também manifestações da oposição.

O presidente russo, Dimitri Medvedev, ordenou este sábado ao promotor-geral, Yuri Chaika, e ao ministro do Interior, Rashid Nurgaliev, que supervisionem pessoalmente a investigação da agressão.

Muitos jornalistas têm sido agredidos, feridos e assassinados nos últimos anos na Rússia, mas as investigações raramente são levadas adiante. No caso mais conhecido, a jornalista oposicionista Anna Politkovskaya foi assassinada em 2006, em Moscou. Quatro anos depois, autoridades não conseguiram identificar quem foi o mandante do assassinato.

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