Jornalista que jogou sapatos em Bush diz que foi torturado na prisão

Bagdá, 15 set (EFE).- O jornalista iraquiano que jogou seus sapatos contra o ex-presidente dos Estados Unidos George W.

EFE |

Bush denunciou hoje, após sair da prisão, que foi torturado enquanto detido e demonstrou seu temor de que os serviços secretos americanos o matem.

Muntadhar Al Zaidi foi libertado hoje depois de nove meses preso e fez estas declarações em uma entrevista coletiva concedida na sede do canal de televisão iraquiano Al Bagdadia, para o qual trabalhava quando protagonizou o famoso incidente em 14 de dezembro de 2008.

Dezenas de pessoas aguardavam o jornalista na sede do canal, onde foi recebido com aplausos.

Visivelmente nervoso, o jornalista de 28 anos falou com a imprensa portando uma bandeira do Iraque utilizada antes da invasão dos EUA ao redor do pescoço.

"Quando o primeiro-ministro (do Iraque, Nouri al-Maliki) disse que não iria dormir até que houvesse a garantia de que eu estava bem, estavam me torturando com cabos de eletricidade e barras de metal", disse Zaidi.

O jornalista afirmou que recebeu maus-tratos "inclusive no pátio localizado atrás da sala da entrevista coletiva" de Bush e Maliki na qual jogou os sapatos e na qual, segundo denunciou, os profissionais de imprensa tinham instruções de não fazer nenhuma pergunta ao então presidente americano.

"Talvez alguns tenham escutado meus gritos", acrescentou o jornalista, ao assegurar que revelará mais adiante as identidades dos funcionários e oficiais do Exército que o torturaram.

Zaidi também disse ter "certeza de que os serviços secretos americanos não vão deixar de me perseguir e tentar me matar de qualquer modo, seja fisicamente, socialmente ou profissionalmente".

"Não sou herói, simplesmente tenho uma postura", disse o jornalista, que se tornou um símbolo da rejeição à invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

Zaidi foi condenado inicialmente a três anos de prisão por insultar o "presidente de um país estrangeiro", mas o tribunal de apelação reduziu sua sentença para um ano, da qual cumpriu apenas nove meses por bom comportamento.

Segundo o jornalista, seu gesto foi uma resposta "à injustiça e à humilhação à pátria" representada pela invasão do Iraque.

Agora, Zaidi disse que dedicará seus esforços futuros a ajudar as vítimas do conflito, principalmente viúvas e órfãos. EFE hh/bba

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