O jornalista iraquiano Muntazer Al Zaidi, que ganhou fama por ter jogado os sapatos contra o então presidente americano George W. Bush em dezembro de 2008 em Bagdá, deixou a prisão nesta terça-feira depois de ter passado nove meses detido.

Ao deixar a penitenciária ele afirmou ter sido torturado no cárcere e disse que o primeiro-ministro iraquiano lhe deve um pedido de desculpas.

"No momento em que o primeiro-ministro Nuri Al Maliki afirmava às redes de televisão que não dormiria até que tivesse garantias de me destino, eu era torturado da pior maneira, agredido com cabos elétricos e barras de ferro", declarou o repórter.

Al Zaidi fez as declarações durante uma entrevista coletiva no prédio do canal de televisão Al Baghdadia, onde trabalhava antes de ser preso.

"Me abandonaram em um local onde não estava protegido do frio", acrescentou, antes de afirmar ter sido vítima do afogamento simulado, uma técnica de interrogatório utilizada pela CIA com os suspeitos de terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Para as organizações de defesa dos direitos humanos o que CIA considerava uma técnica de interrogatório não passava de tortura.

"Peço (ao premier Nuri Al Maliki) que apresente um pedido de desculpas por ter escondido a verdade", insistiu.

Muntazwe Al Zaidi, 30 anos, que trabalhava para um canal de TV iraquiano, ficou famoso no dia 14 de dezembro de 2008 ao jogar os dois sapatos contra Bush durante uma entrevista coletiva em Bagdá.

Condenado em primeira instâcia a três anos de prisão por agressão contra um chefe de Estado em visita oficial, a pena foi reduzida a um ano na apelação. Graças ao bom comportamento na prisão ele teve a liberdade autorizada após nove meses.

sf-mel/fp

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