Jornalista que denunciou sequestro do Arctic Sea se refugia na Tailândia

Bangcoc, 23 set (EFE).- O jornalista russo Mikhail Voitenko, que denunciou o sequestro da embarcação mercante Arctic Sea e insinuou que transportava armamento com destino ao Irã, se refugiou na Tailândia por temor às represálias das autoridades de seu país.

EFE |

"Não temi pela minha vida, mas sim que me incriminassem falsamente em algum delito e me mandassem para a prisão. Denunciei muitos temas sensíveis", explicou a Efe em Bangcoc Voitenko, editor da revista russa Maritime Bulletin, especializada no setor naval.

As autoridades russas retiraram ontem o pedido ao Governo da Espanha para que o navio de bandeira maltesa e armador russo pudesse parar no porto de Las Palmas de Gran Canaria, embora não precisaram para onde se dirigirá o navio.

O navio, procedente da Finlândia, foi sequestrado por piratas no dia 28 de julho no Mar Báltico e liberado por uma embarcação de guerra russa um mês mais tarde junto a Cabo Verde, depois que alguns meios de comunicação publicassem que transportava armamento.

Rússia disse que a carga está composta por troncos e madeira e não por mísseis antiaéreos S-300.

"As autoridades russas não atuaram segundo os procedimentos frequentes quando se liberta um navio sequestrado, por isso suspeitei que havia algo mais na carga, ilegal ou que preferiam esconder", afirmou Voitenko, quem chegou a Tailândia dia 4 de setembro após fazer escala na Turquia.

Alguns analistas atribuíram ao Mossad, o serviço secreto israelense, o sequestro do cargueiro para impedir que os mísseis chegassem ao regime iraniano.

Por sua parte, as autoridades russas dizem que o navio foi sequestrado por oito piratas, que estão detidos.

Voitenko admitiu que não chegou a receber ameaças, mas que muitas pessoas em seu círculo começaram a aconselhar-lhe que "escapasse" durante um tempo da Rússia.

"A Marinha e o serviço secreto estavam muito molestos pelas minhas alegações e, em meu país, um tem que fugir quando o Estado está contra você. Ocorre continuamente", disse o editor.

"Rússia funciona como um regime feudal - acrescentou -, com um cabeça do Estado todo-poderoso, mas também com departamentos que atuam com total impunidade em suas jurisdições e onde a corrupção é grande".

Voitenko, que trabalhou em uma companhia em Bangcoc entre 1999 e 2001, assegurou que não tem intenção de retornar a seu país e acrescentou que guarda informação "relevante" sobre embarcação que publicará quando seja "conveniente".

"Na Rússia, não existe o Estado de Direito nem se respeitam os direitos humanos, mas isto não surpreende a nenhum cidadão", disse o jornalista. EFE grc/fk

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