Jornalista mexicana recebe prêmio mundial de liberdade de imprensa da Unesco

Maputo, 3 mai (EFE).- A jornalista mexicana Lydia Cacho Ribeiro recebeu hoje, em Maputo, o Prêmio Mundial da Liberdade de Imprensa Unesco-Guillermo Cano 2008 por seu trabalho contra a corrupção política, o crime organizado e a violência doméstica.

EFE |

O prêmio, que é entregue a indivíduos, organizações e instituições que fizeram contribuições notáveis na defesa e promoção da liberdade de imprensa, foi entregue a Cacho Ribeiro pelo diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura.

O prêmio foi concedido à jornalista mexicana por um júri composto por 14 personalidades do jornalismo internacional, que este ano analisou 37 candidaturas procedentes de todo o mundo.

A repórter, que em 2006 revelou o caso das mortes violentas de centenas de mulheres jovens em Ciudad Juárez (norte do México), é autora também de investigações jornalísticas sobre redes de prostituição, pornografia e tráfico de drogas.

Ao entregar o diploma e a medalha do Prêmio a Cacho Ribeiro, Matsuura, destacou a coragem da jornalista na luta contra o crime organizado no México, que explora crianças mediante a prostituição e a pornografia.

Segundo o diretor da Unesco, pelo menos 17 jornalistas morreram desde o início do ano no exercício de sua profissão. Ainda assim, ele encorajou os homens e mulheres da imprensa mundial a não deixar-se intimidar.

Cacho Ribeiro considerou que o prêmio é um reconhecimento às crianças que ela retratou em suas crônicas.

"A atribuição deste prêmio é um reconhecimento às crianças que me contaram suas vidas. Eu só cumpri meu papel de jornalista", comentou.

Nascida em 1963, Lydia Cacho Ribeiro, que colabora com o diário "La Voz del Caribe", foi vítima de ameaças de morte e agressão policial como conseqüência de seus trabalhos jornalísticos, e obteve o prêmio Francisco Ojeda em 2006 e o Prêmio Ginetta Sagan pelos Direitos das Crianças e das Mulheres, concedido pela Anistia Internacional.

O prêmio recebido por Cacho Ribeiro foi criado pelo Conselho Executivo da Unesco em 1997, em homenagem a Guillermo Cano Isaza, um jornalista colombiano assassinado 17 de dezembro de 1986 em frente ao escritório de seu jornal, "El Espectador", em Bogotá.

Em seus artigos, Cano denunciou sistematicamente os poderosos narcotraficantes da Colômbia, e se suspeita que seu assassinato tenha sido ordenado por estes.

Em 2007, o Prêmio Mundial da Liberdade da Imprensa Unesco-Guillermo Cano foi outorgado, a título póstumo, à jornalista russa Anna Politkovskaia. EFE mp/gs

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