Washington, 15 ago (EFE).- O jornalista americano Kenneth Bacon, que trabalhou durante 25 anos no Wall Street Journal, foi porta-voz do Pentágono durante o Governo de Bill Clinton e defensor dos refugiados, morreu hoje, aos 64 anos, pela propagação de um melanoma em seu cérebro.

Bacon morreu em sua residência de férias de Block Island, no estado americano de Rhode Island, informou hoje a Refugees International, uma organização com sede em Washington que dirigiu e presidiu desde 2001.

O jornalista entrou na sucursal do "Wall Street Journal" em Washington em 1969, após ter trabalhado como assistente do senador democrata Thomas McIntyre, de New Hampshire.

Foi correspondente para o jornal nova-iorquino no Pentágono entre 1976 e 1980 e se tornou seu porta-voz em 1994.

Em suas coletivas de imprensa diárias, Bacon informou à imprensa sobre o papel e a postura dos Estados Unidos nas guerras da Bósnia e do Kosovo, o atentado que matou 17 marines americanos do destróier USS Cole, no porto de Áden, no Iêmen, em 2000, e de outros eventos.

Em uma visita que fez aos Bálcãs em 1999, Bacon conheceu de perto o sofrimento de centenas de milhares de deslocados pelas guerras na região.

"Nunca tinha visto refugiados antes, nunca tinha visto a magnitude do sofrimento de um milhão de pessoas deixando para trás seus lares, precisando de alimentos, refúgio e assistência médica" disse, em entrevista ao "New York Times", em 2001.

Essa experiência o marcou tanto que, após abandonar o Pentágono, no mesmo ano se tornou o presidente da Refugees International.

Através da organização, Bacon defendeu uma maior proteção e ajuda aos refugiados, em lugares como Darfur e Iraque, e centrou grande parte de seus esforços em acompanhar os deslocados no Afeganistão, Mianmar (antigo Birmânia), República Democrática do Congo (RDC), Colômbia e Tailândia.

A morte de Bacon comoveu a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que afirmou em comunicado que "os EUA e o mundo perderam hoje um grande líder humanitário".

"A maioria dos americanos lembrarão de Bacon como a voz civil imperturbável do Departamento de Defesa (...), mas para milhões das pessoas mais vulneráveis do mundo foi uma fonte incalculável de esperança, inspiração e apoio", assinalou.

Bacon foi casado com Darcy Wheeler e tinha duas filhas, Katherine e Sarah. EFE cai/pd

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