Teerã, 6 abr (EFE).- Os pais da jornalista americana de origem iraniana Roxana Saberi, detida há quase dois meses no Irã, visitaram hoje sua filha na prisão de Evin e atestaram que ela está bem de saúde, confirmou à Agência Efe seu advogado, Abdul-Samad Khorramshahi.

O magistrado contou também que as acusações contra a repórter serão anunciadas na semana que vem.

"Os pais de Roxana puderam visitá-la em um ambiente adequado e com um bom tratamento por parte das autoridades", destacou Khorramshahi.

Jornalista freelancer de 31 anos, Saberi telefonou para seus pais no dia 10 de fevereiro deste ano dizendo que tinha sido detida, mas pediu a eles que não fizessem nada, pois pensava que não se tratava de um assunto sério.

No dia 28 do mesmo mês, seu pai, morador da cidade americana de Fargo, decidiu vir a público após 18 dias sem notícias da filha.

Segundo o pai, Saberi teria sido detida por ter comprado uma garrafa de vinho no Irã, país que proíbe a venda e o consumo de álcool.

No entanto, as autoridades iranianas justificaram que a jornalista americana trabalhava "de forma ilegal", já que sua licença de trabalho havia vencido há mais de um ano.

Os pais de Saberi chegaram ontem à noite em Teerã para tentar conseguir sua libertação.

A jornalista, que já colaborou com emissoras de televisão conhecidas internacionalmente como "BBC" e "Fox News", estava no Irã para escrever um livro sobre o país e cursava um mestrado em política iraniana.

No início de março, pouco depois de a notícia ter sido divulgada, o vice-promotor de Teerã, Hassan Haddad, anunciou que a libertação da jornalista ocorreria "em breve".

Estados Unidos e Irã romperam suas relações diplomáticas em 1980, depois do longo sequestro da embaixada americana em Teerã e o triunfo um ano antes da Revolução Islâmica que derrubou a monarquia do último xá de Pérsia, o pró-ocidental Mohamad Reza Pahlevi.

Em janeiro passado, após assumir o cargo, o presidente dos EUA, Barack Obama, se comprometeu a buscar uma nova relação com o Irã se o regime dos aiatolás "estender a mão".

Nos últimos anos, vários jornalistas, pesquisadores e professores irano-americanos foram detidos pela Polícia Iraniana.

Na semana passada, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, entregou às autoridades iranianas uma carta na qual explicava que a libertação de Saberi e a de um suposto agente americano desaparecido há de mais de dois anos na ilha iraniana de Kish seria entendida como um gesto de boa vontade. EFE msh-jm/bba

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