Império de Murdoch anuncia investigação interna e diz que Matt Nixson fez escutas quando trabalhava para tabloide News of the World

Última edição do tabloide News of the World teve pedido de desculpas aos leitores
AP
Última edição do tabloide News of the World teve pedido de desculpas aos leitores
O chefe da seção de reportagens do tabloide britânico The Sun, Matt Nixson, foi despedido nesta quinta-feira por realizar supostas escutas ilegais quando trabalhava para o extinto News of the World , informou a News Corporation , proprietária de ambos jornais.

A comissão de padrões da News Corp., grupo empresarial do magnata Rupert Murdoch, afirmou que as acusações contra Nixson se referiam à sua atividade prévia e não à atual. O grupo e sua divisão britânica, a News International, iniciaram uma investigação interna em seus jornais para localizar os responsáveis pelas escutas, após ter sido provado que jornalistas da empresa recorriam a essa prática para obter informações.

O escândalo dos grampos, objeto de inquérito policial em um caso que afetou quase 4 mil pessoas no Reino Unido, obrigou Murdoch a fechar seu popular dominical News of the World, que teve dez de seus repórteres detidos por implicação no caso. Entre eles, foi presa e posteriormente liberada sob fiança a ex-editora do News of the World e do The Sun Rebekah Brooks , que na terça-feira compareceu perante uma comissão parlamentar para declarar até que ponto conhecia a existência dessa atividade ilegal.

Rebekah declarou que só soube do alcance das escutas no jornal, que dirigiu de 2000 a 2003, em dezembro, quando várias vítimas apresentaram denúncias. A ex-editora reconheceu que, quando dirigia o dominical, usou detetives particulares para obter informações, mas insistiu que deteve essa prática quando em 2003 começou a dirigir o The Sun, a versão diária do periódico sensacionalista.

Nessa mesma comissão depuseram também Rupert Murdoch, que negou qualquer responsabilidade no caso dos grampos, e seu filho James , que, como Rebekah, disse que só se inteirou da prática das escutas em dezembro.

Em 2006, após uma investigação que terminou com a prisão de dois empregados do News of the World, a empresa informou que se tratava de casos isolados.

Nesta quinta-feira, o ex-diretor do dominical extinto, Colin Myler, e Tom Crone, assessor legal da News International, puseram em xeque James Murdoch, que disse à comissão que nunca viu um e-mail sugerindo que a prática dos grampos telefônicos era recorrente no jornal.

Os dois sustentam que o informaram da existência desse e-mail, algo que voltou a ser refutado nesta quinta-feira por James ao emitir um comunicado que reafirmou sua declaração de terça-feira.

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