Guatemala, 12 mai (EFE).- O jornalista guatemalteco Mario David García afirmou hoje que o advogado Rodrigo Rosenberg, assassinado no domingo, disse que entregava seu testamento ao repórter, quando pediu que gravasse o vídeo no qual acusou o presidente Álvaro Colom de ser responsável por sua morte.

"Fui quem gravou o vídeo. Não fiquem investigando baboseiras, busquem os criminosos", disse García no programa "Hablando Claro", divulgado pela rádio local "Emisoras Unidas".

Segundo o jornalista, a gravação foi feita a pedido de Rosenberg na quinta-feira passada, na casa do advogado, que teria dito: "Estes que podem me matar não devem ficar sem pagar pelo crime cometido.

Entrego a você meu testamento".

"A única coisa que me preocupa é minha família. Se me matam, não ficará impune. Fiz um arquivo, tenho todas as provas das minhas afirmações", revelou o advogado a García, segundo o jornalista.

O repórter, que admitiu temer por sua vida, disse que aceitou o pedido de Rosenberg de filmar o vídeo e torná-lo público em caso de acontecer algo com ele, mas também tentou convencê-lo a buscar proteção e garantir sua segurança.

No domingo, após saber do assassinato do advogado, García contou que entregou o vídeo aos executivos da "Emisoras Unidas", para que fosse divulgado.

Rodrigo Rosenberg gravou um vídeo onde explicou as razões pelas quais previa que seria assassinado e assinou uma declaração na qual acusa Colom e a esposa, Sandra Torres, de planejar sua morte.

"A razão pela qual estou morto é porque, até o último momento, fui advogado do empresário Khalil Moussa e de sua filha Marjorie Moussa", assassinados a tiros em 14 de abril em um setor do sul da capital guatemalteca.

Segundo o vídeo, Moussa e sua filha foram mortos por querer denunciar o desvio de fundos da Administração Colom e da esposa, afirma o advogado em sua declaração póstuma.

Em entrevista concedida hoje, Colom rejeitou o conteúdo do vídeo e assegurou que se trata de uma trama de "gente covarde e rasteira".

"Desqualificamos totalmente o vídeo. Graças a Deus tenho meu coração limpo. Este Governo não é pistoleiro nem assassino, isso podemos demonstrar", disse Colom na Casa Presidencial, onde recebeu os jornalistas.

Hoje, o ministro de Relações Exteriores guatemalteco, Haroldo Rodas, viajou a Washington para expor nesta quarta ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) a crise de governabilidade gerada no país após a publicação do vídeo.

Um porta-voz da Chancelaria guatemalteca disse à Agência Efe que "o ministro viajou hoje mesmo a Washington, para se apresentar amanhã perante o Conselho Permanente da OEA, onde narrará a situação vivida no país, depois dos fatos desta semana". EFE ca/db

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