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Jornalista da BBC reabre debate ao admitir eutanásia em parceiro

Londres, 16 fev (EFE).- O jornalista da BBC Ray Gosling reabriu o debate sobre a eutanásia no Reino Unido ao reconhecer, em um documentário emitido pela emissora, que ajudou seu parceiro a morrer quando as dores que ele tinha provocadas pela aids se tornaram insuportáveis.

EFE |

Gosling, de 70 anos, fez esta surpreendente revelação ao programa "Midlands Oriental Inside Out", exibido ontem à noite no canal "BBC 1" e que repercutiu hoje em toda a imprensa britânica.

O roteirista e jornalista de Nottingham confessou que asfixiou seu parceiro doente com um travesseiro, mas não revelou seu nome, limitando-se a dizer que os dois fizeram um pacto para um ajudasse o outro a morrer caso as dores decorrentes da doença aumentassem de forma extrema.

"Uma vez matei alguém... Era meu amante e ele tinha aids. Peguei o travesseiro e o asfixiei, até que ele morreu. Não me arrependo.

Fiz o correto", confessou Gosling.

Embora tenha omitido detalhes sobre o lugar e o momento em que a situação aconteceu, o repórter freelancer explicou que seu parceiro estava hospitalizado e que os médicos asseguraram que já não podiam fazer mais nada por ele.

"Pedi ao médico que me deixasse com ele por um momento. Ele saiu e voltou. Ao retornar, disse que ele (o parceiro) havia ido embora.

Ninguém nunca mais falou algo a respeito", disse Gosling.

O jornalista justificou sua ação dizendo que, "quando se ama alguém, é duro ver a pessoa sofrer". Ele também admitiu que tinha sentimentos "contraditórios" sobre a eutanásia.

"Agora é hora de compartilhar um segredo que guardei durante muito tempo", disse o freelancer, que explicou que, de acordo com o "pacto" feito com o parceiro, ele "tomaria medidas se a dor aumentasse".

Perguntado sobre qualquer possível sentimento de culpa, Gosling respondeu que não tinha "absolutamente nenhum pesar" sobre o ocorrido.

O jornalista também disse que, a partir da confissão, talvez a Polícia pudesse querer interrogá-lo. EFE prc/sc

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