Jornalista brasileiro recebe prêmio das mãos do rei Juan Carlos da Espanha

Madri, 8 mai (EFE).- O rei Juan Carlos da Espanha entregou hoje o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha ao jornalista brasileiro Rodrigo Cavalheiro, em uma cerimônia na qual também foram premiados profissionais argentinos, colombianos, mexicanos e espanhóis.

EFE |

Cavalheiro e o jornalista Javier Drovetto, da Argentina, receberam o prêmio ibero-americano do próprio rei Juan Carlos por reportagens publicadas simultaneamente no jornal "Zero Hora", de Porto Alegre, e no "Clarín", de Buenos Aires, em abril de 2007.

As matérias dos jornalistas premiados revelaram um caso de corrupção na Polícia de trânsito da Argentina, principalmente contra turistas brasileiros.

Em entrevista à Agência Efe, Cavalheiro declarou que o "interessante" do prêmio é o reconhecimento de uma série de reportagens que tiveram grande "repercussão entre os leitores, sobretudo em pessoas que haviam sofrido a mesma extorsão".

O júri, presidido pela secretária de Estado de Cooperação Internacional espanhola, Leire Pajín, e pelo presidente da Agência Efe, Álex Grijelmo, como vice-presidente, destacou "o original enfoque binacional de uma mesma questão: a corrupção".

Além disso, os jurados também ressaltaram que esse "exemplo de colaboração entre meios de comunicação de dois países ibero-americanos causou um impacto social evidente no Brasil e na Argentina, além de ter forçado a punição de vários policiais".

O rei Juan Carlos presidiu o ato de entrega da 25ª edição da entrega dos prêmios, realizada no Pavilhão dos Jardins de Cecilio Rodríguez, no parque do Bom Retiro de Madri.

O monarca disse que os trabalhos premiados são exemplos de "informação séria, rigorosa e crítica".

Os prêmios são concedidos anualmente pela Agência Efe e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid). O júri decidiu premiar neste ano trabalhos de denúncia social e inovação.

Cada jornalista recebe seis mil euros pelo trabalho vencedor, exceto os agraciados nas categorias ibero-americana e Dom Quixote, que levam nove mil euros e uma escultura em bronze do artista Joaquín Vaquero Turcios.

O rei Juan Carlos disse que os premiados demonstram que o trabalho jornalístico "pode alcançar o máximo de qualidade, precisão e impacto em qualquer de suas modalidades".

Grijelmo disse que os prêmios são o reconhecimento do "jornalismo da qualidade, honrado e rigoroso, cujos autores buscaram servir a sociedade".

O presidente da Efe também destacou a mudança constante nos meios de comunicação "que levou ao surgimento de novos suportes" e citou a evolução da fotografia, mas enfatizou que, entre tantas novidades, "o importante do ofício do fotógrafo não serão as ferramentas, nem o olho, mas o olhar".

Uma foto do mexicano Raúl Alejandro Estrella, que denuncia a violência social em Oaxaca, no México, foi a premiada desta edição na categoria Fotografia.

A equipe da revista "Semana", dirigida por Alejandro Santos, recebeu o prêmio na categoria Imprensa pela reportagem "La parapolítica", sobre assassinatos e desmandos cometidos por paramilitares e seus vínculos com políticos.

O prêmio de Jornalismo Digital foi concedido aos colombianos José Rubiel Navia e Juan Pablo Noriega por uma reportagem publicada no site "eltiempo.com" sobre a tribo dos Yukpas.

A denúncia das adversidades enfrentadas pelas mulheres de algumas regiões do mundo foi o que levou o júri a premiar Juan Antonio Sacaluga, que recebeu o prêmio de Televisão, e Fran Sevilla, vencedor na categoria Rádio.

No caso de Sacaluga, a banca avaliadora disse que a série de quatro reportagens feitas para a rede pública "TVE" buscou "transmitir uma mensagem de esperança às mulheres de países da América Latina, da África e do Oriente Médio".

Já os documentos sonoros de Sevilla, atual correspondente da "RNE" na América Latina, transmitidos nessa emissora em dezembro de 2006, são "um verdadeiro protesto contra a terrível situação das mulheres em Ciudad Juárez, no México".

Germán Devesa recebeu o prêmio Dom Quixote pelo artigo "¡Ah, que tiempos!" ("Ah, que tempos!", em tradução livre), publicado no jornal "Reforma" em junho de 2007 e no qual o júri avaliou sua "síntese brilhante entre o idioma espanhol e a fala popular mexicana".

A cerimônia terminou com a apresentação da cantora portuguesa Mísia, que cantou um fado em homenagem ao rei Juan Carlos e recitou um poema de José Saramago.

Pela primeira vez, a cerimônia de entrega pôde ser acompanhada ao vivo através da internet no site www.efe.com. EFE me/wr/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG