Jornalista argentino diz ter sido torturado na Bolívia

La Paz, 16 abr (EFE).- O jornalista argentino Fernando Cola, que chegou a ser dado como desaparecido entre domingo e segunda-feira passados, após um confronto ligado a um conflito de terras no sudeste da Bolívia, denunciou hoje ter sido torturado por habitantes da região.

EFE |

"Fui obrigado a largar a câmera e a descer do caminhão em que estava, e começaram a me dar chutes e a atirar pedras. Consegui escapar e me escondi em uma casa", disse o jornalista à agência Efe.

O argentino disse ter sido agredido por habitantes da localidade boliviana de Cuevo (sul), que resistem ao processo de revisão de títulos de propriedade de terras conduzido pelo Governo do presidente boliviano, Evo Morales, e que o jornalista estava cobrindo.

"Não consegui sequer ter medo, porque só pensava em fugir", acrescentou Cola, que também apresentou sua denúncia em entrevista coletiva concedida hoje na localidade de Camiri, perto de Cuevo.

Na presença do vice-ministro de Terras da Bolívia, Alejandro Almaraz, uma jornalista e um advogado, ambos bolivianos, também denunciaram na entrevista coletiva terem sido torturados.

A jornalista boliviana Tanimbu Estremadoiro, que viajava junto com o argentino, não conseguiu escapar e, segundo seu depoimento, foi amarrada a um poste por mais de uma hora, onde diz ter sofrido agressões e ameaças de que iria ser estuprada e assassinada.

Cola e Estremadoiro trabalhavam em um documentário sobre o conflito de terras na região para o Centro de Estudos Jurídicos e Pesquisa Social da Bolívia e a ONG dinamarquesa Grupo Internacional de Trabalho com Povos Indígenas.

O advogado guarani Ramiro Valle também contou ter sido "chicoteado e amarrado" e "alvo de golpes brutais" de um fazendeiro do local.

Os habitantes e empresários pecuaristas de Cuevo, acusados das torturas, resistem ao processo de titulação de terras conduzido há mais de duas semanas por uma comissão formada pelo Governo boliviano e por índios guaranis, liderada pelo vice-ministro Almaraz.

As tentativas de Almaraz de entrar nas fazendas do local foram rechaçadas de forma violenta por empresários e habitantes, em choques que deixaram cerca de 50 feridos no domingo passado, dia em que Cola teria sido torturado.

O Governo da Bolívia denunciou hoje que os habitantes e fazendeiros do sudeste do país continuam com o bloqueio das rotas que levam à Argentina e ao Paraguai mesmo com o fim da tentativa de revisar os títulos de terras na região. EFE az/bba/fb

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