Washington, 11 mai (EFE).- Uma investigação do jornal The Washington Post revela hoje o colapso do sistema de atendimento médico aos imigrantes reclusos em centros para estrangeiros nos Estados Unidos e sustenta que, na revisão de 83 mortes, em 30 casos o atendimento ou a falta deste contribuíram para os óbitos.

O jornal identifica em sua edição on-line os 30 casos estudados, na maioria de imigrantes hispânicos, e afirma que, dos milhares de documentos oficiais examinados, é possível afirmar que existe uma "crise em massa no atendimento médico dos detidos".

A série de reportagens do "Washington Post" explica que a situação afeta cerca de 33.000 internos em centros de detenção, que esperam a deportação ou uma audiência judicial.

Para o jornal, as negligências médicas que sofrem fazem parte do custo humano derivado do rigor das políticas de segurança e imigração americanas após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, e a falta de planejamento diante do impacto dessas mesmas políticas.

"Os detidos têm menos acesso à assistência jurídica do que os assassinos convictos das prisões de segurança máxima, e alguns inclusive estão em piores condições do que os prisioneiros da base de Guantánamo suspeitos de pertencer à Al Qaeda", acrescenta o jornal.

Afirma que "não são terroristas" e cita como exemplo o caso de um jornalista que fugiu por medo do Congo e trabalhava como motorista de veículos de luxo para manter os seis filhos americanos, apesar de nunca ter obtido asilo.

A investigação encontrou um "mundo oculto de diagnósticos médicos errados, más práticas administrativas, guardas negligentes, técnicos mal preparados, extravio de expedientes médicos", entre outros.

Um comunicado enviado ao jornal pela agência de imigração afirma que, no ano fiscal de 2007, foram destinados quase US$ 100 milhões à assistência médica dos imigrantes detidos, e afirma que um em cada quatro internos tem doenças crônicas. EFE alf/an

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