Jornal revela carta na qual Israel diz aceitar sair das Colinas de Golã

Jerusalém, 10 set (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu seu consentimento, em negociações com a Síria há dez anos, a uma retirada completa das Colinas de Golã, segundo as fronteiras determinadas em 1967, de acordo com um documento revelado hoje pelo jornal Yedioth Ahronoth.

EFE |

A carta, redigida para o então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton pelo enviado de Netanyahu às negociações, o empresário judeu-americano Ronald Lauder, afirma que Israel estava disposto a retirar-se "até as fronteiras de 1967", ano no qual ocupou a região durante a Guerra dos Seis Dias.

Antes de chegar à liderança do Governo israelense em março, Netanyahu foi primeiro-ministro entre 1996 e 1999, e manteve negociações de paz diretas com a Síria através de Lauder.

A existência do acordo, alcançado em negociações entre as partes em 1998, foi divulgada por diferentes meios de comunicação durante os anos, mas Netanyahu sempre negou sua existência e que houvesse uma carta sobre o assunto.

"Israel se retirará do território sírio conquistado em 1967 de acordo com as resoluções do Conselho de Segurança 242 e 338. A retirada será efetuada até uma fronteira estipulada que se baseie na linha de 1967", diz o texto.

Trata-se de uma carta que Lauder enviou a Clinton um ano após as negociações terem terminado em fracasso, com o objetivo de deixar escrito os termos que tinham sido acordados.

A única reivindicação territorial de Israel consistia na instalação de uma estação de controle ocupada por tropas franco-americanas, para verificar o desarmamento da fronteira no lado sírio.

Apesar da publicação da carta, o escritório do Netanyahu assegurou hoje, em seu nome, que "nunca deu seu consentimento a uma retirada até as fronteiras de 1967, nem diretamente, nem através de enviados".

A resposta de Netanyahu ao jornal convida a Síria a "retomar as negociações incondicionais prévias". EFE elb/pd

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