Jornal publica última edição em meio à crise de escutas telefônicas

Trabalhistas pressionam por inquérito antes que se percam provas contra News of the World que dará adeus ao público neste domingo

iG São Paulo |

AP
Murdoch está em conferência em Sun Valley, Idaho, EUA

Após os  escândalo de escutas telefônicas ilegais que levaram ao fechamento do tabloide News of the World e à detenção de jornalistas pelo suposto envolvimento no caso, a publicação se despede do público neste domingo. A edição que colocará fim a seus 168 anos de história terá como manchete "Obrigada e adeus", em sua capa,  segundo a BBC e o canal Sky News.

Uma foto publicada no Twitter mostra uma montagem de alguns das notícias exclusivas publicadas e uma mensagem: "depois de 168 anos, dizemos finalmente um triste, mas orgulhoso, adeus a nossos 7,5 milhões de leitores fiéis".

O magnata australiano Rupert Murdoch disse neste sábado que a decisão de fechar o tabloide foi "coletiva". O milionário é proprietário da subsidiária News International, dono de vários periódicos no Reino Unido, chegue a Londres nas próximas horas. A News International faz parte da corporação News Corporation ( News Corp. ) e se vê imersa em uma grave crise de credibilidade.

Murdoch, que está no último dia da conferência anual de mídia Allen & Co. em Sun Valley, Idaho, com sua esposa, Wendi, e seu filho Lachlan, voltou a defender ainda a chefe-executiva da News International, Rebekah Brooks , ao dizer que ela tem seu “total” apoio.

Enquanto espera a chegada de Murdoch, a equipe do News of the World prepara neste sábado a última edição do tabloide, que chega às bancas no domingo com tiragem dobrada de 5 milhões de exemplares . A caminho da redação, o diretor do dominical, Colin Myler, declarou que este sábado era "um dia muito triste" para os funcionários e disse sentir pela equipe de 280 profissionais talentosos que perderão o emprego pelo fechamento do jornal.

Pressão política

Também neste sábado, os opositores do Partido Trabalhista pediram por um inquérito imediato sobre o caso, antes que provas importantes contra o News of the World se percam depois que o tabloide britânico publicar a sua última edição neste domingo. Segundo o jornal britânico The Guardian, uma fonte do News of the World disse que milhões de emails que poderiam depor contra o tabloide já foram apagados.

Em carta ao primeiro-ministro, David Cameron, o trabalhista Ivan Lewis pediu por “discussões imediatas para que até o fim do dia estejamos em posição de concorda com o apontado pelo juiz” para liderar um inquérito independente sobre o escândalo. Em entrevista à Sky News, o vice-líder do Partido Trabalhista, Harriet Harman, alertou para a necessidade de acelerar o processo judicial contra o tabloide e seus funcionários. “Pense no que acontecerá hoje no fim do dia: o News of the World será fechado e sua equipe desaparecerá”.

A Igreja da Inglaterra disse também neste sábado que cogita retirar os quase 4 milhões de libras (4,5 milhões de euros) em ações que tem investido no News Corp., se o grupo empresarial de Murdoch não investigar os diretores suspeitos de envolvimento no escândalo das escutas ilegais.

O Grupo Consultivo de Investimento Ético (EIAG, na sigla em inglês), da principal confissão britânica escreveu ao conglomerado de Murdoch para dizer que considera "repreensível e uma falta de ética" o comportamento de seu dominical News of the World. Além disso, o grupo demonstrou satisfação pela decisão do magnata de fechar o histórico periódico sensacionalista, mas indicou que a medida "não é resposta suficiente" para enfrentar as acusações de práticas ilegais no veículo.

Prisões

Na sexta-feira foi detido e solto após o pagamento de fiança Andy Coulson , diretor do jornal entre 2003 e 2007, época em que foram feitas as escutas de personalidades da vida pública britânica.

Autoridades detiveram também Clive Goodman , antigo editor setorista da Família Real britânica do News of the World, que já cumpriu pena de quatro meses em 2007 por interceptar caixas de correio de celulares, incluindo as de memnbros da Família Real britânica, em colaboração com o detetive Glen Mulcaire. Outros três jornalistas do rotativo foram detidos e postos em liberdade condicional enquanto continua a investigação.

A detenção de Coulson sob suspeita de corrupção e intercepção de telefones enquanto era diretor do News of the World também tem implicações para o governo, já que o jornalista de 43 anos foi porta-voz do primeiro-ministro, David Cameron, cargo ao qual renunciou em janeiro .

Coulson sempre sustentou que não sabia das atividades ilegais feitas pelos repórteres do tabloide sob sua direção.

Grampos

Embora o caso das escutas ilegais por parte de funcionários do News of the World não seja novidade, o caso ganhou mais vigor com a descoberta que não apenas celebridades haviam sido grampeadas, mas também uma menina assassinada e familiares de soldados mortos no Iraque.

Diante da indignação provocada pelas revelações, Cameron anunciou na sexta-feira que será aberta uma investigação judicial e outra sobre ética jornalística, além da investigação policial conduzida pela Scotland Yard sobre o escândalo.

O chefe do governo britânico também defendeu a decisão de contratar Coulson como chefe de imprensa, a quem pediu "garantias" de sua inocência.

O fechamento do tabloide britânico foi anunciado pelo presidente da News International, James Murdoch (filho de Rupert Murdoch) na quinta-feira. A edição deste domingo será a última do periódico de mais de 100 anos de história.

A decisão, que põe fim a 168 anos de história com a possível demissão de 200 trabalhadores, é vista em círculos políticos e empresariais como uma operação de lavagem para proteger os interesses do grupo, cujas ações caíram nas bolsas de valores e tiveram prejuízos com publicidade.

Executiva da News International e antiga editora do News of the World, Rebekah Brooks informou na sexta-feira aos funcionários que deixará de dirigir a investigação interna por conflito de interesses.

*Com AP e EFE e BBC

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