Jornal paquistanês questiona circunstâncias da morte de Bin Laden

Diário em língua inglesa sugere que líder da Al-Qaeda possa ter sido morto pelo próprio guarda-costas

iG São Paulo |

AP
Homem observa jornais em banca de Islamabad, no Paquistão
Um jornal paquistanês sugere nesta terça-feira que o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, possa ter sido morto por sua própria guarda para evitar que fosse capturado por forças americanas.

"Osama foi morto pelas tropas dos Estados Unidos ou pela sua própria guarda?", questiona em sua manchete o jornal "Dawn", o mais popular diário de língua inglesa do país.

O jornal cita uma autoridade local que teria visitado a mansão na qual o líder da Al-Qaeda foi morto, em Abbottabad, e questiona a versão americana segundo a qual Bin Laden foi abatido por militares dos EUA ao resistir à prisão.

"Pela cena do tiroteio, não parece que ele poderia ter sido morto à queima-roupa de um ângulo tão fechado, enquanto estivesse oferecendo resistência", disse ao jornal a autoridade, mantida no anonimato.

Segundo ele afirmou ao jornal, quando os serviços de segurança paquistaneses chegaram à mansão, as forças americanas já haviam deixado o local, levando consigo somente o corpo de Bin Laden e deixando para trás os corpos dos outros mortos na operação, entre eles um guarda-costas e um filho do líder da Al-Qaeda.

Também estariam na casa, segundo ele, duas mulheres do saudita e nove crianças com idades entre 2 e 12 anos, que estariam sob a guarda dos serviços de segurança paquistaneses.

Segundo a autoridade ouvida pelo jornal "Dawn", os sobreviventes da operação americana serão interrogados para estabelecer os detalhes do que ocorreu na mansão na noite do domingo.

Zardari

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, negou que as autoridades do seu país soubessem do paradeiro de Osama bin Laden, afirmando que o país "nunca foi nem nunca será o foco de fanatismo como é muitas vezes descrito pela mídia". A afirmação foi feita em um artigo assinado por ele e publicado nesta terça-feira pelo diário americano "The Washington Post".

"Essas especulações infundadas (de que autoridades sabiam do paradeiro de Bin Laden) podem produzir notícias emocionantes, mas não refletem a realidade", disse o líder paquistanês. "O Paquistão teve tanta razão para desprezar a Al-Qaeda como qualquer outra nação. A guerra contra o terrorismo é tanto a guerra do Paquistão como é da América."

O líder acrescentou que o Paquistão, que tem sofrido repetidos ataques terroristas contra civis e contra seus serviços de segurança, "tinha pago um preço enorme por sua luta contra o terrorismo". "Mais de nossos soldados morreram do que todas as vítimas da Otan juntas. Dois mil policiais, quase 30 mil civis inocentes e uma geração de progresso social para o nosso povo foi perdida."

Bin Laden foi morto no domingo por uma operação de forças americanas na cidade paquistanesa de Abbottabad. O Paquistão não participou da ação.

Zardari disse que, embora os dois países não tenham trabalhado juntos na operação específica, "uma década de cooperação e parceria entre os Estados Unidos e o Paquistão levaram à eliminação de Osama bin Laden como uma ameaça constante para o mundo civilizado".

Ao comentar a ação, na segunda-feira, o principal assessor da Casa Branca para assuntos de segurança nacional de contraterrorismo, John Brennan, afirmou que era "inconcebível que Bin Laden não tivesse um sistema de apoio no país que permitisse a ele ficar lá por um longo tempo".

No artigo, Zardari negou que a morte do líder da Al-Qaeda, em uma mansão próxima a uma academia militar paquistanesa, seja um sinal da incapacidade de seu país combater o terrorismo.

Ele não deu nenhuma explicação de como Bin Laden havia sido capaz de viver em relativo conforto no Paquistão, mas disse que o saudita "não estava em qualquer lugar que havíamos previsto que ele estaria".

Com BBC

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