Jornal do Vaticano faz duras críticas a bispo que nega Holocausto

O jornal do Vaticano criticou duramente o bispo ultraconservador inglês Richard Williamson - reabilitado no sábado pelo papa Bento XVI após passar 20 anos excomungado - por negar a ocorrência do Holocausto nazista dos judeus.

AFP |

As declarações de Williamson "são inaceitáveis", escreveu nesta segunda-feira em um editorial o jornal da Santa Sé, destacando que o anti-semitismo "não é objeto de discussão" para um católico.

O jornal oficial do Vaticano lembra ainda a declaração "Nostra Aetate", adotada em 1965 ao término do Concílio Vaticano II, documento que revolucionou o enfoque da Igreja católica em relação aos judeus, rejeitando a idéia de que podem ser acusados de "deicídio".

"Este documento marcou uma mudança decisiva" nas relações entre a Igreja católica e os judeus, aponta o jornal da Santa Sé.

"As declarações de Williamson, nas quais nega o Holocausto, contradizem os ensinamentos da Igreja e são muito graves, lamentáveis", ressalta o editorial.

Segundo o L'Osservatore Romano, anular a excomunhão aos quatro bispos consagrados ilegitimamente em 1988 pelo prelado tradicionalista Marcel Lefebvre, como autorizou no sábado o pontífice, "responde aos ensinamentos do Concílio, que prefere o remédio da misericórdia ao da condenação".

kv/ap

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