La Paz, 22 jul (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) treinaram pelo menos cinco grupos de radicais aimaras bolivianos enviados àquele país pelo líder camponês Felipe Quispe, informou hoje o jornal boliviano La Razón.

A revelação faz parte de uma investigação realizada pelo jornal que começou a ser publicada ontem com a denúncia de um suposto plano das Farc para se expandir rumo a Bolívia e contatar funcionários do Governo de Evo Morales.

Os grupos de aimaras foram enviados à Colômbia, via Equador, entre setembro de 2003 e novembro de 2004, afirma o "La Razón", ao dizer que a informação foi descoberta no computador do ex-número dois das Farc "Raúl Reyes".

Segundo esta investigação, pelo menos 57 e-mails mostram o interesse da guerrilha colombiana em manter uma relação com Felipe Quispe, ex-membro do Exército Guerrilheiro Tupac Katari (EGTK), ao qual também pertenceu o atual vice-presidente, Álvaro García Linera.

O interesse das Farc para se ligar ao líder camponês boliviano foi tal, que a guerrilha colombiana tentou levar Quispe a uma reunião com Reyes.

Quispe é lembrado pelo jornal como líder do EGTK, um grupo ilegal que realizou atentados contra interesses americanos e torres de energia elétrica em 1989, delitos pelos quais foi preso em La Paz por cinco anos.

Segundo o diário, o envio de jovens estudantes aimaras foi administrado pelo próprio Quispe, que mantinha "Reyes" informado por meio da guerrilheira Núbia Calderón.

Quispe chegou a pedir, segundo Calderón, que os bolivianos permanecessem nos campos de treinamentos colombianos além do previsto "porque assim aprenderiam mais", diz o "La Razón", que afirmou ter tentado se comunicar com Quispe para saber sua versão, mas explica que não foi possível contatá-lo.

Já o Governo boliviano negou qualquer relação com as Farc e denunciou que existe uma campanha internacional para vincular o Governo de Evo Morales à guerrilha colombiana.

O ministro das Relações Exteriores boliviano, David Choquehuanca, assegurou que o Governo boliviano não tem interesse em estabelecer uma relação com esta guerrilha.

"As relações com as Farc não são interesse do Estado. Nós não reconhecemos essa relação", declarou Choquehuanca citado pelo "La Razón". EFE rs/rb/rr

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