Inteligência cresceu tanto desde o 11 de Setembro, que ninguém sabe real custo e quantos estão envolvidos, diz o Washington Post

Secretário de Defesa Robert Gates (à dir.) ao lado do presidente Barack Obama: Gates reconhece que às vezes é difícil conseguir informações precisas de inteligência
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Secretário de Defesa Robert Gates (à dir.) ao lado do presidente Barack Obama: Gates reconhece que às vezes é difícil conseguir informações precisas de inteligência
Desde os ataques do 11 de Setembro de 2001, a coleta de informações ultrassecretas de inteligência pelo governo cresceu de forma tão descontrolada que ninguém realmente sabe seu custo e quantas pessoas estão envolvidas, informou o Washington Post nesta segunda-feira.

Uma investigação de dois anos do jornal americano revela o que denominou de " América Ultrassecreta ", um país cuja maior parte está escondida do público e amplamente incólume à supervisão.

Na primeira de uma série de reportagens, o Post disse haver mais de 1,2 mil organizações governamentais e mais de 1,9 mil companhias privadas trabalhando com contraterrorismo, segurança interna e inteligência e cerca de 10 mil locais através de todo os EUA.

Cerca de 854 mil pessoas - quase 1,5 vezes o número de habitantes de Washington - têm autorização de segurança ultrassecreta, indica o jornal.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse ao Post não acreditar que a burocracia do governo e da inteligência privada tenha crescido desmesuradamente para ser gerenciada, mas reconheceu que às vezes é difícil conseguir informações precisas.

"Nove anos depois do 11 de Setembro, faz sentido dizer: 'Ok, construímos uma capacidade imensa, mas temos mais do que precisamos?'", disse.

O diretor da CIA, Leon Panetta, disse que, com o crescimento dos déficits orçamentários, o nível de gastos com inteligência provavelmente cairá, e ele está no trabalho com um plano de cinco anos para a agência.

A Casa Branca vinha se antecipando às reportagens do Post e disse, antes de elas serem publicadas, que o governo Obama assumiu o poder tendo consciência dos problemas e vem tentando consertá-los.

O governo também divulgou um memorando para o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional listando o que chamou de oito "mitos", com a intenção de ser uma resposta ponto por ponto às acusações que se esperava que a série de matérias do Post levantasse.

Entre elas está a de que os trabalhadores terceirizados representam a estrutura da força de trabalho de inteligência. O memorando coloca o número em 28%, ou menos de um terço. O memorando disse que 70% do orçamento de inteligência é gasto "em contratos, e não em trabalhadores terceirizados".

"Esses contratos cobrem grandes aquisições, como satélites e sistemas de computador, assim como atividades comerciais como aluguel, serviço de alimentos e instalações de manutenção e segurança", disse o memorando.

Segundo o Post, sua investigação também descobriu que:

- na área ao redor de Washington, 33 complexos de prédios para trabalho de inteligência ultrassecreta estão sob construção ou já foram construídos desde o 11 de Setembro;

- muitas agências de inteligência estão fazendo o mesmo trabalho, gastando dinheiro e recursos em redundândia.

- tantos relatórios de inteligência são publicados a cada ano que muitos são rotineiramente ignorados.

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