Jornais russos terão página em branco em protesto contra alta de assinaturas

Moscou - Os principais jornais russos chegarão às bancas nesta quarta-feira com a primeira página em branco, em protesto contra o encarecimento das assinaturas, que afeta a milhões de pessoas, anunciou hoje a Câmara Pública da Rússia, órgão consultivo do Kremlin.

EFE |

"Pode-se abalar a liberdade de imprensa de distintas formas; por exemplo, com o brusco aumento das tarifas de assinatura"- só esta frase aparecerá sobre o fundo branco dos diários e revistas que participarão da ação de protesto.

"A primeira página em branco significa que outro canal de informação faz-se inatingível para muitos leitores", assinala o comunicado da Câmara Pública, em alusão aos planos da empresa estatal Correios da Rússia de dobrar o preço das assinaturas.

Os diretores de vários jornais que fazem parte da Câmara Pública fizeram, além disso, uma carta ao novo presidente russo - Dmitri Medvedev - para expressar sua preocupação e expor suas propostas sobre como resolver o problema das tarifas de subscrição.

"A assinatura dos jornais é o principal canal de informação para milhões de cidadãos, e seu encarecimento levará à destruição do espaço informativo do país", diz em particular a mensagem ao presidente russo.

Entre outros, assinam a carta os diretores de um dos jornais mais antigos do país, "Izvestia"; dos diários "Moskovsky Komsomolets (com uma tiragem de mais de dois milhões de exemplares) e "Komsomolskaya Pravda" (em torno de um milhão), e do semanário "Argumenti y Fakti" (mais de três milhões de exemplares).

Apenas uma vez na história recente da Rússia dois influentes diários, "Nezavisimaya Gazeta" e "Segodnia", saíram com espaços em branco, em 5 de outubro de 1993, pela censura implantada pelo então presidente Boris Yeltsin no dia seguinte à ordenação do bombardeio ao Parlamento opositor.

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