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Jornais dos EUA destacam ruptura com era Bush em discurso de posse

O discurso de posse do novo presidente americano, o democrata Barack Obama, mostrou uma clara ruptura com as políticas que marcaram a presidência do republicano George W. Bush, segundo afirmam os principais jornais americanos em editoriais e artigos de análise publicados nesta quarta-feira.

BBC Brasil |

"Em seu discurso de posse, o presidente Obama deu a eles [a multidão que acompanhou a cerimônia] a claridade e o respeito pelos quais todos os americanos ansiavam. Em cerca de 20 minutos, ele varreu para fora oito anos das falsas escolhas e falsas políticas do presidente George W. Bush e prometeu voltar a se submeter aos ideais mais prezados pelos americanos", afirma um editorial do diário The New York Times.

Para o editorial, o discurso "não foi programático", mas "não deixou dúvidas de como Obama vê os problemas da nação e como ele pretende consertá-los e, diferentemente de Bush, os sacrifícios necessários que ele pedirá a todos os americanos".

O jornal The Washington Post, por sua vez, observa que "somente ao levantar sua mão e fazer o juramento de posse, Obama já estava fazendo história", mas diz que, em seu discurso, ele também sinalizou que sua presidência provavelmente trará mudanças ainda mais generalizadas a uma nação confrontada por problemas de significado histórico".

"Mais claramente, as atividades (do dia da posse) confirmaram que a presidência de Obama marcará uma ruptura aguda com a de George W. Bush. O novo presidente não hesitou em marcar suas diferenças", diz o Washington Post.

'Esperança'
O britânico The Guardian também adota argumento semelhante. "Obama deixou claro, em seu amplamente aguardado discurso, que aquele momento em Washington marcava a morte e o enterro não só da presidência de George W. Bush, mas também da postura neoconservadora na política externa, da postura de 'mãos fora do mercado' na economia e do que Obama chamou de 'era de pequenos sofrimentos e falsas promessas, de recriminações e de dogmas batidos' na vida pública que marcaram os últimos oito anos".

"O trabalho de fazer coisas diferentes começa agora. Hoje, como ontem, todo o mundo estará observando com esperança", conclui o editorial do Guardian.

O Times, também da Grã-Bretanha, diz que "para uma audiência global, Obama sinalizou, talvez mais claramente do que o esperado, o caminho diferente que ele pretende adotar em relação ao seu antecessor".

"Em comentários que pressagiam importantes anúncios políticos nos próximos dias, o presidente Obama indicou que a maneira com que ele vai prosseguir com a guerra contra o terrorismo mudará significativamente em relação à postura de George W. Bush", afirma o texto do jornal.

O diário econômico britânico Financial Times, por sua vez, classificou o discurso de Obama como "uma altiva afirmação da democracia" e disse que o novo presidente cumpriu as expectativas com sua fala, num desempenho de "líder nato".

"Obama começa com a maior boa vontade de seu país e de todo o mundo civilizado. Ele novamente deixou claro que quer cooperação com outras nações. Ele entende a dimensão internacional de muitos dos problemas que ele precisa agora enfrentar. Em muitas maneiras, sua posse é um novo começo não só para os Estados Unidos, mas para o mundo. Os amigos dos Estados Unidos também precisam aproveitar o momento", afirma o editorial do FT.

'Tarefa árdua'
Na França, o diário Le Figaro observa que Obama enfrentará agora "uma tarefa árdua para prevenir o declínio econômico dos Estados Unidos e o colapso da economia global".

Para outro diário francês, Le Monde, a cerimônia da posse mostrou que "os americanos não estavam enganados". "Na terça-feira, dia 20 de janeiro, eles viviam um momento da história. Um desses momentos que transforma a vida de um país, que não apaga o passado, mas prepara para um outro futuro", diz o jornal.

O espanhol El País afirma que Obama apelou à esperança em seu discurso e que "colocou sua gigantesca dimensão política e moral ao serviço da superação da crise da qual o mundo padece".

A imprensa estatal chinesa, por sua vez, expressou preocupação sobre o futuro das relações entre a China e os Estados Unidos durante o governo iniciado na terça-feira.

"Dada a vontade popular dos americanos por uma mudança em relação aos anos de Bush, muitos se perguntam, ou se preocupam, para sermos mais precisos, se o novo presidente vai ignorar o árduo progresso nas relações bilaterais", afirma um editorial do diário China Daily.

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